Você deveria escutar podcast

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Escutar Podcast

Quando a TV surgiu, disseram que ela acabaria com o rádio e o jornal. Depois, disseram que a internet acabaria com a TV. E com todos ainda bem vivos até hoje, outras mídias e plataformas foram surgindo. Uma dessas mídias, que parece nova mas que já existe há mais de uma década, é o podcast.

Nos dias de hoje, em que a dinâmica de consumir conteúdo mudou drasticamente, escutar podcast é uma das diversas formas de se entreter e de ficar informado no meio de tanta informação, e que você precisa conhecer.

Para quem não está familiarizado com podcasts, o Tecmundo tem uma ótima definição do termo:

“Podcast é uma forma de transmissão de arquivos multimídia na Internet criados pelos próprios usuários. Nestes arquivos, as pessoas disponibilizam listas e seleções de músicas ou simplesmente falam e expõem suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, como política ou o capítulo da novela. Pense no podcast como um blog, só que ao invés de escrever, as pessoas falam.

Podendo ser ouvidos a qualquer hora, os podcasts criam uma espécie de rádio virtual direcionada para assuntos específicos, ou seja, de acordo com as características de cada ouvinte. Além do mais, esses arquivos podem ser escutados perfeitamente em um player portátil.”

Basicamente, podcast é a evolução do rádio, assim como o YouTube é a evolução da televisão. Nos podcasts, você escuta quem você quiser, a hora que quiser e sobre o assunto que lhe interessar. Podem ser pessoas conversando sobre ciência, política, cinema ou sobre os acontecimentos do dia. Existem aqueles de 5 minutos, com frequência diária, e aqueles de 2 horas, lançados semanalmente; não tem regra.

Fazia tempo que eu não escutava podcasts com frequência, mas recentemente comecei a ouvir alguns em inglês para aperfeiçoar o aprendizado e tomei gosto. Conheci podcasts excelentes sobre o cenário político brasileiro atual, outros que abordam os assuntos polêmicos que surgem todos os dias na Internet e até alguns muito bons sobre história. Claro que também tem aqueles só pra dar risada e descontrair.

Melhores Podcasts

Por causa dessa gama tão grande de assuntos e de programas, pensei que muitos amigos e leitores do Dizcorrendo poderiam se interessar, embora ainda não tenham o costume de escutar – ou que nem mesmo conheçam – podcasts. Pode procurar sobre o assunto que você quiser: culinária, conspirações, literatura, música, cultura nerd, séries de TV, fotografia, etc. Tenho certeza que já existe um podcast para o que você buscar. E se você dominar o inglês, esse universo de possibilidades será ainda maior.

Aqui em casa, geralmente escuto enquanto lavo louça ou faço comida, então acabo unindo o útil ao agradável. Antes de dormir ou limpando a casa também é uma boa ideia pra ouvir o seu podcast preferido.

Vou deixar aqui embaixo todos os que eu acompanho e alguns outros que podem interessar. Ah, recomendo também o aplicativo CastBox (para Android e iOS) para receber todos os programas automaticamente e poder baixá-los no seu celular. Depois que você começa a consumir podcasts, não para mais. Dá uma olhada nas sugestões:

Mamilos

O Mamilos – Jornalismo de peito aberto, é um podcast semanal que busca nas redes sociais os temas mais debatidos (polêmicos) e traz para mesa um aprofundamento do assunto com empatia, respeito, bom humor e tolerância.

Clique aqui e confira todos os programas
Programa recomendado: Mamilos 126 – Bullying

Nós Brigamos no War

NBW é o podcast de três amigos que já não se encontram tanto quanto gostariam. Por isso, decidiram reservar uma hora por semana para gravar uma conversa com os assuntos e as músicas que certamente fariam parte do bate-papo de boteco deles.

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Programa recomendado: NBW 132 – Caos no Rio de Janeiro e abusos sexuais nos EUA

Temacast

PodCast criado em 2014 que tem como objetivo levar aos ouvintes conteúdo relevante sobre comportamento, história, biografias e cultura geral.

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Programa recomendado: Temacast #71 – As teorias Marxistas (seus acertos e erros na economia)

AntiCast

O AntiCast é um podcast sobre política, história, artes e qualquer outra forma de subversão.

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Programa recomendado: AntiCast 315 – Eleições 2018: Pré-Análise

Gente que Escreve

Um programa semanal feito por escritores, para escritores e quem quer que se interesse pelo ofício da escrita.

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Programa recomendado: Gente Que Escreve 046 – Isso rende uma história?


Outros podcasts recomendados:

Nerdcast, Café Brasil, BrainCast, Xadrez Verbal, Não Ouvo, 99 Vidas, RapaduraCast, Melhores do Mundo, Papo Torto.

Obs.: Se você usa o Spotify, existe uma seção exclusiva para escutar podcast. Lá você encontra vários desses que foram citados e uma biblioteca enorme de programas variados.


Tem algum podcast pra recomendar? Não encontrou nenhum sobre um tema que você gosta? Deixa nos comentários e a gente responde!

Chega de Mimimi

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Chega de Mimimi

Se em 2013 o Brasil se dividiu por causa dos protestos políticos, em 2017 a divisão já está bem mais ramificada em esquerda e direita, coxinha e petralha, politicamente correto e incorreto, comunista e fascista, liberdade de expressão e mimimi. Independente do lado que você se coloca, tenho certeza que escutou nas últimas semanas algumas dessas expressões: apropriação cultural, representatividade, objetificação, machismo, misoginia, problematização, minorias, gordofobia, homem branco cis hétero, feminicídio, patriarcado, empoderamento, etc. E nessa mesma conversa, provavelmente alguém soltou a famosa frase: “isso é tudo mimimi!”

Tá bom, nós sabemos que todos esses termos estão saturados e que são usados em textões que você não tem paciência de ler, além de serem debatidos em ambientes muito específicos, como faculdades de humanas e rodas de jovens alternativos. E mais uma vez, como a esquerda nunca soube se comunicar bem com a massa, isso chega através da TV e da mídia em geral de forma superficial para a maioria da população, que não faz parte desses núcleos.

Mas o que define o que é “mimimi” e o que não é?

Pode ser que não haja uma definição no dicionário, mas basicamente mimimi (ou vitimismo) são todas as discussões que você não entende o propósito. Principalmente se você se enquadra de alguma forma nas questões levantadas, mas nunca precisou pensar muito a respeito, seja por ignorância, por reproduzir atos e discursos de outras gerações ou por falta de vivência. Ou só por falta de empatia mesmo.

No meio disso tudo, fica difícil distinguir se quem está sendo chato é quem levanta a discussão ou quem aponta o mimimi. Ainda que de forma saturada, aquela pessoa que está discutindo racismo, machismo ou outras injustiças sociais, está buscando expor e questionar pontos importantes do status quo. Quando colocam a discussão em segundo plano para atacar o representante da causa com um argumento tão fraco como “isso é tudo mimimi“, aumenta ainda mais a distância entre as pessoas e esses temas. Muita gente vai preferir concordar com quem reclama das discussões do que entender o que está sendo debatido. E com isso todo mundo sai perdendo.

Nessa onda de protestos neonazistas, o que mais tem sido visto são pessoas, que frequentemente tentam silenciar as outras desvalorizando e ridicularizando seus argumentos, clamando por liberdade de expressão para discurso de ódio. Vale lembrar que vitimismo mesmo é quem acha que sofre racismo inverso, cristofobia, heterofobia e misandria. Fica mais fácil tentar se colocar como vítima do que assumir o lugar de privilegiado e/ou agressor.

De fato, ainda temos muito o que aprender e questionar a respeito de tudo que está acontecendo no mundo, inclusive sobre os limites e extremos de cada lado, seja na internet, no trabalho ou nos almoços de família. O mais importante é que ainda que você esteja de saco cheio dos SJW – Social Justice Warriors (Guerreiros da Justiça Social) ou dos Defensores dos Direitos Humanos, mais chato ainda é passar por situações de desrespeito, agressões físicas e morais, relacionamentos abusivos, discriminações sociais e raciais, homofobia e bullying em pleno 2017, uma época com tanta informação disponível e tanta gente disposta a debater sobre isso.

A ignorância mata desde muito antes da Inquisição, então não silencie quem bota a cara a tapa e luta por um mundo menos desigual.

Os Postais da Olga

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Postais da Olga

Em 2013 eu fui fazer um intercâmbio na Oceania. Lá na Nova Zelândia, no país dos hobbits e do rugby, eu conheci a Olga, uma menina de Moscou que foi morar na mesma casa de família em que eu estava hospedado.

Olga ficou apenas um mês em Auckland, a maior e mais famosa cidade da Nova Zelândia. Estudávamos na mesma escola e morávamos na mesma casa, então eu era quase como um irmão mais velho dela (não tão mais velho, pois na época eu tinha 22 anos). Como todos os intercambistas eram muito próximos, também estávamos no mesmo círculo de amizades e ela sempre foi muito simpática e divertida com todo mundo – enquanto eu sempre fui o ranzinza chato, até mesmo em inglês.

Assim como aconteceu com a maioria esmagadora dos amigos que fiz em outros países, acreditava que perderia o contato com a Olga logo que ela fosse embora. Mesmo que continuássemos curtindo fotos uns dos outros no Instagram e no Facebook, dificilmente passaria disso para uma conversa maior.

O que eu não previa era que a Olga teria um hábito quase peculiar nos dias de hoje: enviar cartões postais. Talvez seja um costume dos europeus, não sei, ou só algo que ela goste de fazer mesmo. Já conheci pessoas que fizeram intercâmbio bem antes de mim, numa época antes até da internet, e que mantiveram contato com os amigos estrangeiros por cartas. E eu não sabia o poder que isso poderia ter.

Hoje temos aqui em casa uma pequena coleção de 7 postais da Olga, que começou em meados de 2015. E garanto que, apesar de não ser tão prático (nem barato) enviar um cartão postal de um continente a outro, é muito mais legal do que ter mensagens online na tela do seu celular. Cada cartão tem uma grossura, uma textura diferente e vem de um lugar diferente do outro.

Enquanto tivemos que atualizar a Olga dos endereços em que eu e a Bia estávamos morando (São Paulo, Curitiba, São Paulo de novo e agora em São José dos Campos), nós recebemos cartões postais de Moscou (Rússia), Estocolmo (Suécia), Atenas (Grécia), Londres (Inglaterra), Nova Iorque (EUA) e Lisboa (Portugal). É, se a gente viaja dentro do Brasil, a Olga viaja pelo mundo inteiro mesmo! E cada um dos postais veio numa época e com uma história diferente da vida dela (e da nossa).

Infelizmente ainda não enviamos nenhum postal de volta para a Olga. Talvez por preguiça ou por falta de hábito mesmo. Mas se é tão legal receber, por que não mandar também? São essas coisas que vamos levar e guardar pra sempre, onde quer que a gente more.

Aproveite pra enviar um cartão postal para quem está longe também, tenho certeza que quem receber vai gostar da sua escrita a caneta que você não pratica desde a escola. Ou de saber que você dedicou um tempo do seu dia tão corrido para enviar uma lembrança a ela. Se não quiser mandar um cartão, pode ser uma carta então. Talvez justamente por ser algo um pouco mais complicado de se fazer do que mandar uma mensagem no WhatsApp, é que tenha tanto valor.