A verdade sobre a nostalgia

Publicado em Cotidiano, Crônicas
A verdade sobre a nostalgia

Nostalgia e saudade são primas distantes? Existe crise dos 25 anos? No meu caso, nunca é tarde para se achar um velho ultrapassado.

Em fevereiro do ano passado completei 25 carnavais, literalmente, afinal nasci na semana do carnaval de 1991. “Puxa, 1991, como você é novo!” É, eu ainda nem entro na balada sem documento e mal tenho barba, mas começo lentamente a sentir o peso de estar ficando velho. E ter feito 25 anos pesou muito mais do que agora, com 26. Quando eu percebi que quem nasceu em 2000 já tem 17 anos e mal sabe o que é internet discada ou fax, eu acabei entrando num buraco negro de nostalgia e tenho a impressão de que nunca mais vou sair dele.

Comecei lembrando de coisas antigas que fizeram parte da minha infância, como mimeógrafo, telefone de disco, vitrola, ficha telefônica, VHS que vinha junto com o jornal e os tazos. E olha que se você for dos anos 80 pra trás, você deve achar que isso tudo nem é tão velho assim. Aí eu parei pra assistir uns vídeos do Canal Nostalgia e pouco depois estava chorando como uma criancinha enquanto via trechos dos episódios do Chapolin e de desenhos da extinta Rede Manchete. Nem preciso falar do que sinto quando bato o olho em um livro da coleção Vagalume ou escuto alguma música clássica dos anos 90 (alô Raça Negra!).

Nostalgia Anos 90
Oh, meu amor, não fique triste… Saudade existe pra quem sabe ter

E o que eu refleti sobre tudo isso?

Quase nada, porque não sei se há muito o que refletir sobre a nostalgia. Não é exclusividade minha senti-la nem da minha geração. Os anos vão passando e tudo que a gente mais quer é um cobertor no sofá às 9h pra ver TV Globinho desde o começo. Falar em crise dos 25 parece tão relevante quanto dizer “na minha época” quando você tem 12 anos. Basicamente faz eu me sentir num limbo entre a juventude e o mundo adulto. É a idade em que você ainda lembra o nome de 150 pokémon enquanto faz um freela no sábado à noite.

Pensando lá na frente, eu não queria me tornar o vovô chato que fica contando histórias da adolescência, mas sei que vai ser inevitável. Porque eu sei que é insuportável quando eu começo a lembrar das viagens que fiz alguns anos atrás ou das peripécias da infância. Eu vou contar cada detalhe. Tentarei lembrar do nome do dono da pousada daquela viagem pra praia. E não bastasse isso, eu tenho um sério problema de memória, então vou considerar que você ainda não ouviu minha história e, mesmo sob protestos, vou contá-la pela décima vez. Ou seja, provavelmente serei o vovô de suéter que reúne os netos pra repetir a história do Natal do século passado.

Mas não, não é saudade. A nostalgia é mais a vontade de reviver o passado do que sentir falta dele.

Playlist | Pra te fazer voltar no tempo

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Playlist - Pra te fazer voltar no tempo

Como você já deve ter visto, temos uma playlist aqui na barra lateral do blog com as nossas músicas preferidas. Pensando nisso, resolvemos iniciar uma série de posts com playlists temáticas cheias de músicas que nós gostamos e acreditamos que você também vai curtir!

Começamos com uma playlist nostálgica, pra te fazer voltar no tempo, com aquelas músicas que você cansou de ouvir do fim dos anos 90 até o fim dos anos 2000, basicamente aquelas que tocaram à exaustão no Disk MTV e que vivem na sua mente até hoje, desde Hoobastante até 50 Cent. Relembre com a gente esses clássicos da adolescência mais legal de todas e comente quais músicas você incluiria na lista ou aquelas que mais te trazem boas lembranças.

Se quiser seguir a playlist lá no Spotify, é só clicar aqui.

Viajar é preciso?

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Viajar é preciso?

O mar e suas ondas infinitas a algumas horas do seu escritório; as experiências diversas em outros países e continentes; as pessoas e suas culturas incríveis a uma viagem de distância. E a gente aqui, sonhando o improvável e vivendo o óbvio. Viajar parece preciso quando o agora é engolido pela rotina.

É a vontade de largar tudo e comprar uma passagem pro dia seguinte. Assinar a demissão, replanejar a poupança, vender o carro e partir. É também o medo de ser imaturo, inconsequente, desesperado e incoerente perante olhos alheios. Tudo se equilibra e se desequilibra numa balança diária e inconstante, com você no meio se perguntando: “e agora?“.

Mas viajar é preciso mesmo? Depende. Numa era de wanderlust e desapego, viajar parece a decisão absoluta para que todas as coisas entrem no eixo. Viajar vai sim te fazer expandir as perspectivas, quebrar preconceitos, mudar o rumo da sua vida e propiciar momentos incríveis e inimagináveis, mas a sua mente também estará lá com você. E se a sua mente não estiver pronta para essa viagem, os seus problemas também vão te acompanhar, ainda que você esteja geograficamente longe deles.

A viagem dos seus sonhos, com data para voltar ou definitiva, precisa sim ser feita. Viajar não é um gasto, é um investimento que ninguém pode te roubar a experiência depois, então não deixe de planejar o que você quer fazer, ainda que seja pegar um ônibus na rodoviária para o litoral mais próximo.

Mas lembre-se que a vida sempre será dessa forma: nas praias de Aruba, nas cidades europeias ou no escritório em que você trabalha, a paz estará sempre dentro de você, não do lado de fora.


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