Devemos incentivar a nova geração

Publicado em Cotidiano
Devemos incentivar a nova geração

Eu faço 25 anos em breve (mais em breve do que eu gostaria) e cheguei na idade limite entre ser jovem e ser velha. Pode parecer exagero pra quem é mais velho e me ache super nova com 25 anos e eu concordo, mas daqui pra frente eu terei quase 30 e isso é o máximo da idade adulta que eu consigo imaginar. E foi pensando na minha idade que eu comecei a refletir sobre a geração posterior à minha, e aí percebi o quanto somos parecidos com a geração anterior.

Às vezes eu encontro na internet textos enormes reclamando do fanatismo dos adolescentes de hoje ou achando absurda a quantidade de tempo que eles passam na frente do computador e, tudo bem, são coisas que realmente merecem a nossa atenção e cuidado, mas o que mais me choca é a origem dessas reclamações. Somos nós, os com quase 30, que já estamos estranhando os novos hábitos e reclamando daquilo que não conhecemos e que já não faz sentido pra nós, assim como os nossos pais fizeram com a gente e que até ontem achávamos a coisa mais inaceitável do mundo. Estamos velhos e isso é inegável.

Na nossa época (e, sim, eu sei que não faz tanto tempo), nós também tínhamos hábitos exagerados e a internet era, e continua sendo, a nossa maior diversão da vida. A diferença é que a facilidade e a quantidade de informações aumentaram muito e a possibilidade de uso da tecnologia também, seja na escola, na rua ou em casa.

Já dá pra perceber que a geração seguinte vem dominando o nosso espaço e as coisas já deixaram de ser criadas para nós e passaram a ser criadas para eles, na maioria dos casos. Já não sabemos de tudo e não temos mais paciência/saúde/vontade de acompanhar esse turbilhão de assuntos, lançamentos, discussões, memes e hashtags. Até aí, é uma coisa natural e compreensível, mas o problema vem a partir disso.

Nós crescemos com a internet, entendemos como esse universo funciona e ainda assim, estamos seguindo os passos das gerações passadas que, por ignorância, nos limitavam mais do que nos incentivavam. Precisamos utilizar o conhecimento que adquirimos ao longo desses anos vividos em meio a tecnologia para direcionar a nova geração e não para desencoraja-la.

Vejo a minha irmã, com 12 anos, super fã de k-pop (pop coreano) e isso fez com que ela utilizasse a internet pra buscar mais sobre a cultura coreana, para aprender a língua e até pra buscar as referências de literatura que eles utilizam na composição das letras. Parece exagero, mas não dá pra saber hoje as portas que essas informações podem abrir pra ela daqui uns anos. Eles têm um mar de possibilidade e nós precisamos fazer diferente, evoluir e ajudar essa galera que está chegando na adolescência/juventude a fazer da internet um lugar mais interessante e rico pra todo mundo.

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