Minha vida deu errado

Publicado em Cotidiano
Minha vida deu errado

Você já se perguntou – naquela manhã de domingo em que levanta da cama e vai deitar no sofá pra assistir desenho – por que diabos nada do que você se dispõe a fazer dá certo? Eu já, muitas vezes. A minha vida deu errado de várias formas até hoje, mas parece que está começando a dar certo.

Antes de conhecer a Bia, mudar para Curitiba e vivermos felizes para sempre, eu morava na zona leste de São Paulo, sempre tentando fazer algo novo pra mudar a vida pra melhor. Mas parece que o principal defeito dessa geração é justamente começar tudo e não terminar nada.

Desde pequeno, eu já era promissor. Meus pais brilhavam os olhos achando que tinham um filho superdotado que ganharia prêmios e muito dinheiro, mas alguma coisa deu ruim e até hoje o máximo que eu ganhei foi um edredom numa rifa da escola.

Pra escrever esse texto, eu até tentei enumerar a quantidade de novos projetos/atividades/hobbies que eu já comecei, mas perdi a conta e desisti. Se você for um procrastinador profissional como eu (falarei sobre isso em outro post), tenho certeza que vai se identificar. Cada retrospectiva que você faz da sua vida tem uma pedra no caminho que impediu que você alcançasse o sucesso – e provavelmente essa pedra é você mesmo.

Thiago, o escoteiro

Dos meus sete aos onze anos, eu participei de um grupo de escoteiros. Acampei diversas vezes na Serra da Cantareira, aprendi tudo sobre Baden-Powell, sabia dar vinte nós diferentes numa corda (verdade), fazer fogueira com gravetos (mentira) e cantar umas cem músicas que todo escoteiro sabe. Eu tinha até aqueles emblemas como o do garotinho do Up, mas a vida um dia me disse: “não, você não quer ser escoteiro, desiste e vai fazer algo melhor dos seus sábados“. Aí eu voltei a assistir desenho o dia todo.

Thiago, o karateka e futebolista

Nem vou me estender aqui. Como todo pai que quer ver o filho numa olimpíada, o meu tentou me incentivar em vários esportes e atividades físicas, como o futebol e o karatê. Me descobrindo un amante de la procrastinación, não preciso dizer que o sedentarismo venceu essa luta antes mesmo de começar.

Thiago, o músico, escritor e ator

Durante a faculdade, eu já tinha uma noção maior dos meus atributos e gostos pessoais. Eu sabia, por exemplo, que seria um esquerdopata politicamente correto e que as áreas humanas e artísticas me cativariam mais que esportes ou qualquer coisa que envolvesse números. Comprei uma bateria e um violão, comecei a estudar música. Entrei num grupo de teatro da faculdade, comecei a atuar. Criei meu milésimo blog, dessa vez pra escrever poesias e contos, comecei um livro. A faculdade terminou e parece que levou tudo isso junto. Hoje restam só uns respingos pululantes de criatividade, mas cantar ficou só pra hora do banho mesmo.

Thiago, o designer e fotógrafo

É aqui onde estou hoje. Trabalhando com webdesign, fazendo freelas, fotografando crianças e gestantes. A Bia, bacharel em procrastinação assim como eu, é um pouco mais responsável com as coisas que começa, então é ela que me cobra e me mantém com foco no que é necessário. Se bem que, em menos de um ano, já começamos esse blog, um canal no YouTube, duas fanpages no Facebook, três perfis no Instagram e estamos com outros projetos (além de outro livro que comecei e parei). É claro que não conseguimos atualizar tudo na mesma frequência que gostaríamos, mas dessa vez parece que as coisas estão andando pra frente, ao invés de rastejar quase parando.

Esse é só um resumo dessa minha vida de coisas pela metade, sem contar as infinitas vezes em que dei início a dietas, academias e promessas de ano novo. Eu já pensei tanto sobre isso e já li tantos livros sobre o assunto (ou pelo menos comecei a ler), que durante a minha passagem na Austrália, num intercâmbio, eu resolvi fazer uma apresentação em inglês contando por que a minha vida deu errado. Eu acho que realmente as pessoas se divertem com a desgraça alheia – fui aplaudido de pé.

Acho que daqui pra frente, conforme a idade for aumentando, a disposição pra começar coisas novas vai diminuir, principalmente sabendo que a maioria delas não vai chegar ao fim. Você tem uma trajetória parecida? Ou é super focado e consegue dar continuidade a tudo que se dispõe fazer? Conta aqui pra gente nos comentários!

One thought on “Minha vida deu errado

  1. Eu tenho a sensação de que sou assim também. Por muito tempo vi de uma forma ruim, iniciar muitas coisas e não terminar, mas hoje em dia, vejo um pouco além. Me sinto mais amplo, flexível, não obcecado em ir até o fim em algo que talvez não fosse a minha praia mesmo. Parece que faz parte da minha experimentação e exploração da vida e da minha personalidade também. É claro que hoje eu tenho mais consciência quando surgem várias ideias juntas tipo “fazer yoga, lutar boxe, começar uma pós, ou inglês” hehehe… Mas deixo rolar, tento discernir o que tem mais haver comigo e com o momento. No fim das contas, essa talvez seja uma característica de pessoas muito curiosas! Rs

    Abraço!

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