Nosso terreiro de umbanda

Publicado em Cotidiano
Terreiro de Umbanda

Nos posts anteriores eu contei pra vocês como foi a nossa decisão de mudar de São Paulo para Curitiba, como foi a nossa chegada à cidade e um pouco do processo de locação e mudança para o apartamento novo. O problema é que os desastres não acabaram por aí. Depois que nós nos mudamos para esse apartamento, uma série de coisas engraçadas aconteceram e eu vou contar a história dos nossos primeiros dias pra vocês.

Mesmo chegando sem nenhum móvel e sem água quente no apartamento, a gente estava muito feliz. Passamos várias horas sentados na sala vazia, pensando no que nós precisaríamos comprar primeiro e planejando cada detalhe da decoração.

Só um adendo: o nosso apartamento fica no primeiro andar, mas não é um primeiro andar normal, ele é tão baixo que eu me sinto morando dentro da portaria. A gente nem usa interfone aqui, falamos direto com o porteiro. É sério! Teve um dia que a gente recebeu uns amigos e pedimos uma pizza. O cara fez a entrega pela janela da sala.

Mesmo morando quase no nível da rua, já era um puta avanço não ter a janela do vizinho bem de frente pra sua, como era em São Paulo. Na nossa frente só tinha um terreno grande, bem verdinho e com uma casinha simpática de madeira lá no fundo. Era uma graça e nós estávamos encantados.

Foi anoitecendo e nós fomos ao mercado comprar um colchão inflável pra gente dormir e alguma coisa pra comer. Voltamos e já estava bem escuro. Quando nós abrimos a cortina da janela da sala (que é enorme, ocupa quase a parede toda) nós olhamos para o terreno fofinho da frente e PÁ, levamos o maior susto da vida. Tinha várias velas acesas em volta de cruzes brancas que estavam fincadas na grama. Como é que a gente não viu isso antes? Na mesma hora eu joguei uma pedra na janela do porteiro (mentira, só gritei pra ele) e perguntei “É sério que tem um cemitério aqui na frente e ninguém me avisou?” e ele respondeu “Não é um cemitério, sua besta. É um terreiro de umbanda”.

Ok! Não era uma coisa ruim, eu cresci frequentando terreiros e pro Thiago também não era uma coisa absurda, mas as luzes das velas refletiam na parede do meu quarto, não dava pra dormir daquele jeito, era assustador. E outra, quem garante que um Preto Velho muito velho não vai errar o caminho e parar dentro da minha casa? Não estava pronta pra lidar com isso.

No dia seguinte nós corremos pra uma loja daquelas de construção, mas que vende absolutamente tudo, e compramos cortinas super potentes. Eles não eram a prova de pretos velhos perdidos, mas não deixariam aquelas luzes assustadoras refletirem aqui dentro. Chegamos e já tiramos a cortina fraquinha da sala, colocamos a nova e sabe o que aconteceu? Descobrimos que trocar cortinas é uma tarefa complicadíssima. Pra que trocar de todos os outros cômodos? As luzes são ótimas. Velas são super românticas! Tá bom pra mim assim.

Obviamente não trocamos mais cortina nenhuma e acabamos nos acostumando com a movimentação ali da frente. As pessoas que frequentam o terreiro já são quase da família e quando os tambores começam a tocar lá, nós dançamos aqui.

Caso vocês frequentem o terreiro, aproveitem e venham nos fazer uma visita. Podem entrar pela primeira janela da esquerda. E, se quiserem comprar as nossas cortinas, estamos vendendo por R$50 cada. Não percam!

Ah! Uma informação de brinde pra vocês: Curitiba é uma das capitais com mais terreiros de umbanda e candomblé do Brasil, são mais de quinze mil. Isso não é o máximo?

One thought on “Nosso terreiro de umbanda

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *