O dia em que viemos para Curitiba

Publicado em Cotidiano
Malas - Curitiba

Já contei para vocês em outro post como foi a nossa decisão (sábia decisão, eu diria) de nos mudarmos de São Paulo para Curitiba. O que vocês não sabem é como foi esse dia tão aguardado e nada planejado por nós. Juro que vou fazer um esforço extra pra lembrar de tudo com detalhes, já que a minha memória me ama e apaga automaticamente todas essas coisas bizarras do meu cérebro. Vamos lá!

Na semana da viagem nós decidimos fazer um encontro com os nossos amigos para que pudéssemos nos despedir e matar um pouco a saudade daqueles que a gente não via há bastante tempo. A despedida aconteceu um dia antes de nos mudarmos, e a desgraceira já começou aí. Não consigo entender o motivo até hoje, mas escolhemos o bar mais quente da cidade e mesmo já sendo de tardezinha, cada minuto que a gente passava lá dentro fazia o sol brilhar mais forte lá fora e foi ficando cada vez mais abafado-insuportável-desesperador. Os amigos foram chegando e todos, sem exceção, reclamaram daquele lugar. Alguém muito sensato sugeriu que a gente mudasse os planos e partisse para outro lugar, talvez um pouco mais agradável do que aquela sala de espera do inferno. Fomos para o vão livre do MASP (nosso lugar favorito de São Paulo) e o resto da noite foi maravilhoso.

Voltamos pra casa bem animados e com os corações cheios de amor <3 Conversamos muito antes de dormir e tínhamos certeza absoluta que essa tinha sido a melhor decisão que tomamos na vida. No dia seguinte, acordamos (possivelmente atrasados), conferimos cada cantinho daquele apartamento pra ter certeza que não deixaríamos nada pra trás e partimos com a esperança de que tudo daria certo. O apartamento ficava a dois quarteirões do metrô e, antes da gente conseguir chegar lá, minha mala super gigante e pesada quebrou. No meio da rua. E não tinha cristo que conseguia ajeitar aquelas rodinhas. A solução foi arrastar a mala sem as rodinhas mesmo e seguir o nosso caminho.

Mesmo que você não more em São Paulo, eu imagino que dê pra ter uma ideia de como é o metrô daquele lugar. Pois é! O Thiago nasceu e foi criado pegando metrô, eu morei naquela cidade por mais de dez anos e nós sabíamos bem como era emocionante e complicado entrar na linha vermelha pela manhã. Ainda assim, achamos que seria uma boa ideia pegar o metrô carregando TUDO que a gente tinha. (Eu queria, por favor, que a gente fizesse um minuto de silêncio antes que eu comece a contar o resto da história. Pronto? Obrigada). Eu já estava com vontade de chorar antes mesmo de o trem começar a andar e, pra piorar, quando a gente foi fazer a baldeação pra linha azul, descemos pelo lado errado e, pra consertar esse erro inaceitável, tivemos que subir de escada com a mudança nas costas. Deu tudo certo, na medida do possível, e chegamos na rodoviária do Tietê no horário previsto.

Fonte: imagem retirada da internet

A gente não tinha comprado as passagens ainda (amadores) e já estava bem perto da hora que o próximo ônibus sairia. Quase não tinha ninguém na fila do guichê, mas bem na nossa vez, chegou um senhor puto da vida e entrou na nossa frente pra resolver o problema dele que, aparentemente, era tão importante que não daria pra esperar a gente comprar as passagens. O tempo tava ficando apertado, mas ele conseguiu resolver a pendência que o impedia de viver a sua vida tranquilamente e nós conseguimos escolher os nossos lugares e descer com tranquilidade até a plataforma. Não. Não foi assim. Na hora de pagar, a maquininha de passar o cartão quebrou e a gente ficou lá esperando por alguns minutos que pareceram uma eternidade. Saímos correndo e procurando qualquer lugar pra comprar uma água e alguma coisa pra comer durante a viagem. Descemos as escadas já impacientes e ofegantes, mas quando chegamos na plataforma o nosso ônibus nem tinha chegado ainda. Deu tempo. Ufa!

O problema foi que o ônibus não chegava nunca. Demorou muito tempo mesmo. Ninguém sabia explicar o que estava acontecendo e todos os passageiros já estavam sentados no chão jogando Uno (mentira). Depois de muito esperar, descobrimos que o motorista que nos traria pra Curitiba passou mal antes de chegar à rodoviária e precisou ficar esperando ajuda médica. Coitado! Outro motorista resgatou o ônibus no meio do caminho e seguiu a viagem. Embarcamos e foi tudo ótimo! Era o começo da nossa nova vida e estávamos emocionados (talvez o choro fosse de desespero, mas eu acho que era felicidade mesmo).

Curitiba nos recebeu com um friozinho maravilhoso. Nosso amigo Erick, que além de nos deixar morar no quarto dele por uns dias, nos buscou na rodoviária e ajudou com todas as malas. Depois de passarmos um tempo significativo tentando colocar tudo aquilo dentro do carro, seguimos para o shopping pra, finalmente, encontrar outros amigos e jantar. O carro quebrou quando a gente entrou no estacionamento (parece piada, mas não é). Jantamos todos juntos e voltamos pro carro com a esperança que ele pegaria ou que alguma alma bondosa fosse nos ajudar. O shopping fechou e ainda estávamos lá. Compramos gasolina, ligamos pra irmã, pro tio, pro pai, pro vizinho, pro segurança do shopping e ninguém deu conta de arrumar aquele carro. A solução foi deixar ele lá mesmo e seguir para o apartamento do Erick de táxi.

Já começamos a visitar apartamentos no dia seguinte e logo no segundo dia já tínhamos um escolhido. Foi amor à primeira vista! A papelada começou a ser feita, mas tinha um porém: nossas mães nos ajudariam no processo de locação e estava cada uma num canto do Estado de São Paulo. Os documentos iam de um lugar pro outro e nunca nada dava certo. Uma hora faltava documentos, na outra assinatura, na outra o que faltava era paciência mesmo. Os dias viraram semanas e nada de a gente conseguir mudar pro nosso apartamento. Quando finalmente tudo se acertou, nos mudamos e descobrimos que a gente não tinha pedido pra ligar o gás (não ia dar pra tomar banho quente e o prazo pra ligação era de cinco dias). A gente também não tinha cama. Nem colchão. Nem cobertores. Nem fogão. Nem geladeira. Nem comida. Nem saúde pra aguentar tanto perrengue.

Agora, depois de nove meses dessa saga, estamos recuperados. Nove meses. Essas duas pessoas morando juntas por nove longos meses. Dá pra imaginar o tanto de bizarrices que já aconteceu? Conto pra vocês (em doses homeopáticas. Prometo) num próximo post.

3 thoughts on “O dia em que viemos para Curitiba

  1. Hahahaha
    Agora que passou já podemos rir.
    Gente, vocês devem ser beeeem céticos, eu no lugar de vocês pensaria que tudo isso seria um sinal pra voltar pra casa, não passaria da rodinha da mala quebrada hahahaha
    Demais como as coisas mesmo sem planeamento podem dar certo, né? Sei bem como é e por mais que seja cansativo esse começo pela parte do “fazer acontecer”, é tudo muuuuito gostoso. Imagino o quanto vocês já evoluíram nesses 9 meses e é só o começo.

    1. Hahaha! Acredite, nós pensamos nisso, mas a vontade de fazer dar certo era tanta que desafiamos todos os sinais. Ainda bem!

      Já evoluímos muito, muito mesmo, mas nossa vida continua uma bagunça. Logo tem mais posts contando como está sendo essa experiência! Espero que continue acompanhando e gostando <3

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