O direito à não-religião

Publicado em Cotidiano
Não-religião

Uma vez, no Medium, eu escrevi esse texto sobre a fé e as religiões. Basicamente, continuo com a mesma opinião: um ser humano precisa de fé, mas não necessariamente de uma religião. Sempre tendo a fé e a esperança como base (contrapondo um pouco com o niilismo latente de todos os dias), eu e a Bia nos preocupamos muito com a nossa espiritualidade, mas dispensamos os dogmas seculares das religiões. A não-religião (ou irreligião) pode ser muito mais saudável do que se pensa por aí.

Temos alguns amigos ateus. Outros que são católicos crismados. Alguns familiares evangélicos de carteirinha, outros macumbeiros de carteirinha. Acho brilhante o sincretismo da minha mãe quando ela reza pra santos e orixás de umas três religiões diferentes, mas que no fim das contas representam a mesma divindade. A pluralidade de boas energias que nos cercam – tenham elas quaisquer caracterizações sociais – é maravilhosa e aceitamos pensamento positivo de todos os deuses, de verdade. Mas aqui em casa, a gente prefere se isentar de preceitos e regras.

Com um pé no ateísmo, mas não totalmente, e com outro pé no budismo, mas não totalmente, nós somos a favor da antropofagia religiosa (caso isso exista). É como aproveitar um pouco de cada ensinamento e formar a sua própria crença. Vá atrás de tudo aquilo que lhe agrade e agregue à sua vida, mas dispense tudo aquilo que te faz mal ou que você não acredita. Claro que podem existir julgamentos se você fizer o sinal da cruz e rezar o Pai Nosso, ir no culto evangélico de vez em quando, frequentar os centros espíritas aos fins de semana e praticar meditação recitando mantras budistas. Não é o nosso caso, mas se você se sente bem dessa forma, faça! Não há problema nenhum nisso.

Acredito que a espiritualidade é uma das quatro coisas que uma pessoa deve se preocupar até o fim da vida; as outras três são o crescimento pessoal, o equilíbrio emocional e a saúde mental e física. Não ter uma religião, no nosso caso, não é se abster da fé, mas é permitir que ela seja desenvolvida internamente, de acordo com as nossas necessidades espirituais. Ter uma religião, por outro lado, permite que você interaja socialmente, compartilhe crenças e conviva em um grupo que pense parecido com você. Contanto que não haja problemas em conviver com pessoas que pensem diferente, acredite naquilo que te faz bem. A não-religião é sobretudo isso: respeitar todas as formas de fé.

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