Situações engraçadas da nossa vida

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Situações engraçadas da nossa vida

Eu fico verdadeiramente impressionada com a quantidade de besteiras que eu faço nessa vida. Jurei pra mim mesma que jamais contaria para as pessoas sobre a maioria das coisas que acontece comigo (não é por vergonha, é por medo de ser presa mesmo), mas como eu quero que vocês se sintam próximos da gente, resolvi montar um resumo de algumas situações engraçadas e das coisas que eu já aprontei por aqui.

Pregos noturnos da discórdia

Essa história é clássica e foi uma trapalhada em conjunto com o Thiago. A gente estava super empolgado para decorar o apartamento quando nos mudamos para cá e, num belo dia, decidimos que faríamos uma parede de discos. Na mesma hora juntamos os pregos, os discos e o martelo e começamos a arte. Percebemos depois de algumas marteladas que já tinha passado da 1 hora da manhã e que, como moramos em um condomínio, logo alguém reclamaria do barulho.

Ao invés de a gente parar de martelar na parede em plena madrugada, nós decidimos apenas fechar as cortinas (por algum motivo absurdo achamos que seria suficiente pra não nos descobrirem). Obviamente a nossa estratégia não adiantou e o interfone começou a tocar. Olhamos um para a cara do outro e, com medo de atender o interfone e levar uma bronca, tomamos uma sábia decisão e fomos nos esconder no banheiro. Passamos muito tempo lá dentro, com a luz apagada, agachados e cochichando só pra ter certeza que esqueceriam da nossa existência. É tanta falta de maturidade que fica até difícil de explicar. Até hoje eu não entendo qual foi o sentido disso e fico vermelha só de imaginar alguém vendo essa cena.

A voz do além

Eu já contei pra vocês nesse post aqui que nós moramos no primeiro andar, quase dentro da portaria, e errou quem acha que isso é uma coisa ruim. Morar na portaria é um experimento social e rende histórias engraçadas demais.

Teve um dia que eu estava sentada no meu sofá, tomando meu café e escutando um piá (sou tão curitibana) conversando com o Gerônimo, o porteiro mais amado do Brasil. Depois de falar por muito tempo e já ter sugado toda a minha paciência, o menino solta a seguinte frase:

– Gerônimo, escutar vozes e conversar sozinho com 11 anos significa que eu vou pro manicômio quando ficar mais velho?

Eu sei que deveria ter descido pela janela, pegado aquele garoto e levado para um psiquiatra ou ter apresentado algumas crianças e incentivado a amizade, mas a única coisa que eu consegui fazer foi usar a minha voz maligna para responder:

– Siiiiimmmm!

O coitado do menino ficou olhando pra cima, procurando de onde vinha a voz e perguntando pro porteiro se ele também tinha escutado a resposta.

Queria deixar claro que não me orgulho disso e que espero de coração que eu não tenha traumatizado a criança. Se um dia encontrar com ele, juro que vou dizer que fui eu que disse aquilo.

Rapidinhas

• Eu estava lavando louça outro dia muito orgulhosa da minha rapidez quando percebi que tinha colocado TODA a louça no escorredor sem enxaguar.

• Fui colocar leite no café (quando ainda tomava leite) e quando me dei conta, estava enchendo a caneca de café com Coca-Cola.

• Estava me preparando para tomar banho e ao invés de colocar a roupa suja no cesto, eu joguei na privada e dei descarga. Consegui salvar a camiseta por pouco e me livrei de ter que chamar um encanador e explicar essa situação.

• Quase coloquei creme para pentear na escova de dentes. Muitas vezes.

• Tenho uma mania muito feia de esquecer que eu não estou em casa e quase matei o Thiago de vergonha num dia que encontrei um unicórnio de brinquedo vendendo no mercado. Sem pensar duas vezes, montei no bicho e saí correndo pelos corredores. Só parei quando percebi as caras assustadas das pessoas e cara de choro do Thiago, tadinho.

• Fiquei com raiva de alguma coisa e num impulso, quase arremessei sem querer uma almofada num moço que estava entrando no prédio. Sorte que o Thiago tá sempre por perto e tem o reflexo muito bom.

Já sentiu vergonha alheia de você mesmo? Então, já tô assim. Acho melhor parar por aqui. Deu pra entender que minha cabeça não funciona direito e que sou um perigo pra sociedade. Ainda não sei o motivo de estar compartilhando essas coisas, sinto que vou me arrepender disso.

Por gentileza, se você não bate bem também, deixa aqui nos comentários alguma história engraçada que já aconteceu contigo só pra eu não me sentir tão sozinha nesse mundo <3

Nosso terreiro de umbanda

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Terreiro de Umbanda

Nos posts anteriores eu contei pra vocês como foi a nossa decisão de mudar de São Paulo para Curitiba, como foi a nossa chegada à cidade e um pouco do processo de locação e mudança para o apartamento novo. O problema é que os desastres não acabaram por aí. Depois que nós nos mudamos para esse apartamento, uma série de coisas engraçadas aconteceram e eu vou contar a história dos nossos primeiros dias pra vocês.

Mesmo chegando sem nenhum móvel e sem água quente no apartamento, a gente estava muito feliz. Passamos várias horas sentados na sala vazia, pensando no que nós precisaríamos comprar primeiro e planejando cada detalhe da decoração.

Só um adendo: o nosso apartamento fica no primeiro andar, mas não é um primeiro andar normal, ele é tão baixo que eu me sinto morando dentro da portaria. A gente nem usa interfone aqui, falamos direto com o porteiro. É sério! Teve um dia que a gente recebeu uns amigos e pedimos uma pizza. O cara fez a entrega pela janela da sala.

Mesmo morando quase no nível da rua, já era um puta avanço não ter a janela do vizinho bem de frente pra sua, como era em São Paulo. Na nossa frente só tinha um terreno grande, bem verdinho e com uma casinha simpática de madeira lá no fundo. Era uma graça e nós estávamos encantados.

Foi anoitecendo e nós fomos ao mercado comprar um colchão inflável pra gente dormir e alguma coisa pra comer. Voltamos e já estava bem escuro. Quando nós abrimos a cortina da janela da sala (que é enorme, ocupa quase a parede toda) nós olhamos para o terreno fofinho da frente e PÁ, levamos o maior susto da vida. Tinha várias velas acesas em volta de cruzes brancas que estavam fincadas na grama. Como é que a gente não viu isso antes? Na mesma hora eu joguei uma pedra na janela do porteiro (mentira, só gritei pra ele) e perguntei “É sério que tem um cemitério aqui na frente e ninguém me avisou?” e ele respondeu “Não é um cemitério, sua besta. É um terreiro de umbanda”.

Ok! Não era uma coisa ruim, eu cresci frequentando terreiros e pro Thiago também não era uma coisa absurda, mas as luzes das velas refletiam na parede do meu quarto, não dava pra dormir daquele jeito, era assustador. E outra, quem garante que um Preto Velho muito velho não vai errar o caminho e parar dentro da minha casa? Não estava pronta pra lidar com isso.

No dia seguinte nós corremos pra uma loja daquelas de construção, mas que vende absolutamente tudo, e compramos cortinas super potentes. Eles não eram a prova de pretos velhos perdidos, mas não deixariam aquelas luzes assustadoras refletirem aqui dentro. Chegamos e já tiramos a cortina fraquinha da sala, colocamos a nova e sabe o que aconteceu? Descobrimos que trocar cortinas é uma tarefa complicadíssima. Pra que trocar de todos os outros cômodos? As luzes são ótimas. Velas são super românticas! Tá bom pra mim assim.

Obviamente não trocamos mais cortina nenhuma e acabamos nos acostumando com a movimentação ali da frente. As pessoas que frequentam o terreiro já são quase da família e quando os tambores começam a tocar lá, nós dançamos aqui.

Caso vocês frequentem o terreiro, aproveitem e venham nos fazer uma visita. Podem entrar pela primeira janela da esquerda. E, se quiserem comprar as nossas cortinas, estamos vendendo por R$50 cada. Não percam!

Ah! Uma informação de brinde pra vocês: Curitiba é uma das capitais com mais terreiros de umbanda e candomblé do Brasil, são mais de quinze mil. Isso não é o máximo?

Mudamos para Curitiba

Publicado em Cotidiano, Morando Junto
Morando junto

Eu já li alguns posts emocionantes e ouvi relatos super fofos de casais que decidiram, depois de longos anos de namoro, que era a hora de morar junto. Essa é uma decisão importante e tem um peso enorme na vida de qualquer pessoa. Por isso, é necessário analisar com cuidado os prós e os contras, fazer um planejamento financeiro minucioso, começar uma preparação individual e psicológica pra dar conta dessa mudança tão grande, e mais um monte de questões que devem ser levadas a sério nesse momento.  Mas com a gente não foi assim, não mesmo. Pra falar bem a verdade, não passamos nem perto disso. Sim, foi uma maluquice sem tamanho e eu vou explicar como aconteceu.

O Thiago já morava sozinho (na verdade ele dividia o apartamento com um amigo. Mas não morava com os pais, o que na minha cabeça já é morar sozinho) e, como esperado, eu frequentava bastante aquele lugar. Numa dessas visitas, nós estávamos almoçando e no meio de uma conversa despretensiosa decidimos que quando a gente fizesse dois anos de namoro, poderíamos começar a pensar em morar juntos. Na semana seguinte decidimos que dois anos era tempo demais, um ano seria suficiente. Nessa mesma semana, resolvemos que a gente queria sair de São Paulo, conhecer outros lugares, respirar novos ares, sair daquela agitação e tentar um lugar mais tranquilo. Nós dois, quase que ao mesmo tempo, sugerimos Curitiba. Não deu pra negar, tínhamos motivos diferentes, mas era suficiente para que a gente quisesse tentar. “Então, beleza! É isso. Ano que vem nós vamos embora pra Curitiba”.

Vida que segue. O próximo ano ainda estava longe de chegar e nosso namoro ainda estava bem no comecinho, muita coisa podia mudar ate lá. A cobrança era uma coisa que não existia no nosso relacionamento (e não existe até hoje). Se algo desse errado, tudo bem, mas já começamos a pesquisar sobre a nova cidade e abrir um ou outro anúncio de apartamentos que estavam para alugar. Era só pra ter uma noção de quanto a gente ia gastar, como eram os apartamentos, se era muito diferente de São Paulo, etc. Pouco depois disso eu fiquei doente (tive uma laringite ou faringite bacteriana aguda do capeta) e acabei ficando no apartamento do Thiago por uns dias. Foi a primeira vez que passamos mais do que um final de semana juntos. A gente se conheceu bastante naquele período, as DRs aumentaram e descobrimos detalhes um do outro que não dava nem pra imaginar. Foi tão maravilhoso que esses longos períodos no apartamento dele começaram a ficar mais frequentes e todas as vezes que eu precisava ir embora meu coração apertava. Talvez isso nunca tenha sido falado, mas eu sabia que seria o ano mais longo de todos e eu queria muito que ele passasse bem rápido.

A gente precisava avisar o Leandro (amigo do Thiago que morava no apartamento) que nós nos mudaríamos no ano que vem e que infelizmente ele teria que procurar outro lugar pra morar. Foi uma decisão complicada, acho que a mais complicada de todas. Se o Thiago falasse com ele, os nossos planos se tornariam mais reais e foi aí que começamos a pensar que “Mano, talvez isso aconteça mesmo”. Decididos, fizemos o comunicado e pra nossa surpresa ele se mudou dias depois. Mais surpreendente ainda foi ouvir da minha sogra e da minha mãe um “Vocês estão esperando o quê?”. Uau, tínhamos o apoio delas e agora era uma decisão nossa e só nossa. O Thiago pediu demissão. Eu me mudei oficialmente para o apartamento dele com tudo que eu tinha. Ajudei a empacotar o resto das coisas. Nos mudamos depois de duas semanas.

Chegamos na cidade com algumas malas, uns livros, o nosso computador e a boa vontade de um amigo que nos deixou morar no quarto dele por uns dias (que viraram semanas. Eu conto em outro post como foram os primeiros dias aqui em Curitiba. Preparem-se pra rir. Ou pra chorar. Até hoje eu não sei se foi trágico ou cômico). A gente não tinha apartamento, nem emprego e mal sabíamos como pegar um ônibus sem a ajuda das pessoas. Dizem que os Curitibanos são frios, fechados e difíceis de lidar. Isso pode até ser verdade em alguns casos, mas a nossa experiencia nessa terra gelada foi de muito amor. Todos foram muito solícitos e carinhosos, desde a mulher que deixou de seguir o seu caminho pra nos levar até o café que estávamos procurando, até o taxista que parou o carro e ligou do próprio celular pra síndica do condomínio pra ver se ela podia alugar a casa que estava vazia por um preço mais baixo pra gente. Talvez tenha sido sorte, mas eu prefiro acreditar na bondade das pessoas mesmo.

Já estamos perto de completar um ano morando juntos e depois de muito perrengue, tudo está mais do que certo por aqui. Agora é a hora de refletir sobre essa loucura que foi o nosso último ano e sossegar. Há! Mentira. A gente não consegue ficar parado e já estamos planejando um próximo destino. Oremos!