Perder peso é realmente importante?

Publicado em Cotidiano
Perder peso é realmente importante?

Meu nome é Ana Beatriz, eu tenho 24 anos e sou gorda. Ficou surpreso com essa descrição? Pois bem, na minha visão, é só com esses atributos que as pessoas se importam (talvez a parte da idade seja irrelevante, por enquanto). Não costumo refletir de verdade sobre isso, mas confesso que me assustei quando me dei conta dessa realidade vivida por mim e por muitas outras pessoas, principalmente por muitas outras mulheres.

Que a ditadura da beleza derreteu o nosso cérebro a gente já sabe, mas você já parou pra pensar no quanto isso nos afeta? Eu sinto vergonha de encontrar antigos colegas do colégio, eu fico extremamente tensa antes de conhecer os amigos do meu namorado, eu evito todos os espelhos que mostrem mais do que o meu rosto, eu vivo me escondendo e nem se quer percebo o que está acontecendo.

Foi hoje, andando pelo shopping, que eu me olhei sem querer em um daqueles espelhos enormes que ficam entre as araras cheias de roupas PP nas lojas de departamento, que eu percebi que a roupa que eu estava usando naquele momento era milimetricamente pensada para esconder dos outros e de mim um sobrepeso que pesa muito mais na minha mente do que na balança que eu raramente utilizo. Putz, isso tá muito errado.

Meu braço gordinho e minhas coxas grossas definitivamente não me definem, mas não é por isso que eu preciso esconde-los com meias grossas e casacos pesados durante um dia de calor extremo ou que eu use menos roupas do que o necessário num dia de frio para que eu não pareça maior do que eu já sou. Não posso deixar que isso aconteça outras vezes, é doloroso demais viver desse jeito.

Eu sei que a solução parece fácil: se está incomodada com o peso, levante do sofá e vá fazer uma reeducação alimentar aliada com exercícios físicos.Também existem os que incentivam a aceitação do corpo e nos dizem que precisamos nos orgulhar das gordurinhas e viver bem com isso, somos lindas de qualquer jeito. Eu concordo com ambas as posições, mas não consigo seguir por caminho nenhum. Qual seria a solução pra mim e pra tantas outras meninas que não conseguem se adaptar e se sentir bem com essas escolhas?

Depois de pensar muito sobre essa questão, eu sugiro começar essa jornada se perdoando e entendendo que o corpo, assim como a mente, o universo e tudo mais, é impermanente. Nosso corpo acompanha as mudanças da nossa vida, se adequa as nossas escolhas e mostra uma realidade que nem sempre a gente percebe. Eu, por exemplo, comecei a engordar durante um relacionamento abusivo e só me dei conta depois de muito tempo. Agora, num momento mais tranquilo e feliz, consigo perceber melhor o que me faz bem e o que não faz, e isso é mais importante do que engordar ou emagrecer. E, na minha opinião, é essa a melhor saída.

Peça ajuda. Talvez um psicólogo, um terapeuta ou um amigo que esteja disposto a te ouvir faça mais efeito, num primeiro momento, do que uma decisão grande e difícil de sustentar. Seja lá qual for o caminho que você escolher, a ajuda psicológica te dará um suporte que talvez você nem saiba que precisa. Entenda quais são os seus medos, desafios, preocupações, limitações, desejos e assim você poderá definir, dentro de você, qual o próximo passo.

Depois de estar com a mente livre de culpa e desperta pra um novo começo, você não mais precisará escolher um caminho pra seguir. O amor próprio vem nesse pacote e tudo que você fizer daqui pra frente vai ser apenas uma adequação ao seu novo estado de espírito e condição psicológica. Talvez esse caminho seja longo e reabra feridas que você escondeu por longos anos, mas no final, quando você estiver livre e podendo viver sem medo de ser feliz, tudo terá valido a pena.


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