Liniker – A bicha preta e pobre

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Liniker

Demorei a ouvir Liniker, deixei passar batido e não dei bola por todo esse tempo. Sim, me arrependi. Na semana passada, a Jout Jout fez um vídeo sobre ele/ela e foi aí que eu e a Bia finalmente paramos pra escutar as músicas e ver a sensação que é Liniker interpretando. A “bicha preta e pobre”, como se denomina, não se diz nem homem nem mulher, “é o que é” mesmo.

Liniker é aquela surpresa agradável como foi Amy Winehouse, é a potência rouca do soul como foi Tim Maia e é a singularidade original como sempre foi Ney Matogrosso. Começou a compor suas músicas aos 16, como se fossem cartas de amor que nunca tivera coragem de entregar. Nascido em Araraquara, interior de São Paulo, Liniker de Barros Ferreira Campos tem apenas 20 anos e vem de uma família de sambistas tradicionais. Além do samba, sua personalidade camaleônica – pessoal e musical – se inspira em nomes como Etta James, Nina Simone, Cartola e Tulipa Ruiz.

Em algumas entrevistas, Liniker já disse que seu corpo é um corpo político. E provavelmente foi o visual do/da artista que encantou essa geração que busca quebrar paradigmas – brincos de argola, turbante, batom, barba e vestido se encaixam harmoniosamente. Sem medo de ser julgado, ele/a afirma: “Estar vestido assim não é uma escolha, não é um personagem. Estar no vídeo, ou no show, com determinada roupa é porque me sinto à vontade com ela”.

Na lista da Billboard dos 11 lançamentos nacionais mais aguardados do ano, o futuro álbum de Liniker e os Caramelows (banda formada por Rafael Barone, Péricles Zuanon, Márcio Bortolotti, Willian Zaharanski, Renata Éffes e Bárbara Rosa) já tem nome: “Remonta”. Aqui em casa já estamos aguardando ansiosamente por mais músicas (o primeiro EP você pode escutar aqui). Seja bem-vindo/a ao coração dos brasileiros, Liniker, que os padrões sejam quebrados!