Como criar filhos melhores para o mundo

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Como criar filhos melhores para o mundo

Eu confesso que não é uma coisa que eu tenho muita propriedade para falar, afinal, não tenho filhos e espero que eu ainda demore um pouco para tê-los. Porém, como o Thiago já contou aqui nesse post, nós nos empenhamos desde já nessa busca por como criar filhos melhores para o mundo e, pesquisando sobre diversos métodos de ensino e de educação, acredito ter montado um combo interessante.

Costumo escutar, com mais frequência do que eu gostaria, que na prática vai ser tudo diferente e que nada disso que eu estudo agora vai ser importante, mas eu discordo categoricamente. Até acho que vão surgir dificuldades que eu nem imagino e sei que vou precisar me empenhar muito mais do que agora, mas nada melhor do que me preparar e, mais do que isso, me sentir preparada pra enfrentar seja lá o que estiver por vir.

Pensando em quem também tem essa preocupação antes da maternidade e em quem já está passando por esse período, mas que não para de buscar por novos caminhos, que eu decidi unir neste post, ainda que superficialmente, os dois métodos de criação e educação que eu mais me identifico e que eu acredito que vão me ajudar, de verdade, a criar filhos melhores para o mundo.

MÉTODO MONTESSORI + DISCIPLINA POSITIVA

Se você não sabe nada sobre esses dois universos, vou deixar aqui uma explicação básica de cada um e os motivos pelos quais eu acredito que esse combo pode ser útil demais nessa jornada.

MÉTODO MONTESSORI

Originalmente criado pela pedagoga Maria Montessori, esse método reúne práticas, materiais e teorias que, unidas, auxiliam no desenvolvimento e evolução da criança, observando e compreendendo cada uma delas como indivíduos únicos, com suas necessidades e fases particulares.

No método Montessori, a criança é incentivada a aprender sozinha, observando seus colegas e tendo autonomia para fazer as atividades gerais. Os planos de ensino são preparados de acordo com as fases e necessidades de cada idade, estimulando a criança na busca pela independência e auto-suficiência.

O mais legal dessa forma de educação é que ela não acaba na escola. Pais que seguem esse método preparam a sua casa com o máximo respeito e cuidado. Os móveis de alguns ambientes são adequados ao tamanho da criança, para que ela seja capaz de pegar o seu copo de água ou a sua roupa na gaveta, por exemplo. As atividades feitas em casa complementam o que foi ensinado na escola e instigam a criança a buscar, explorar e perceber melhor o ambiente em que vive.

No meu ponto de vista, o método Montessori pode ser resumido em uma única palavra: respeito. A capacidade de aprendizado de uma criança é gigante e os maiores exemplo que elas têm, principalmente na primeira fase, são os pais e os professores. Se desde sempre elas se sentirem respeitadas e incentivadas a serem quem elas são, sem comparações e livre de qualquer pressão descabida e desnecessária, se tornarão adultos mais preparados e menos frustrados.

DISCIPLINA POSITIVA

Eu enxergo a Disciplina Positiva como um estilo de vida, como uma forma de entender e respeitar qualquer indivíduo que conviva com você, principalmente os seus filhos. Sabe aquele ditado “Não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”? Vale 100% neste caso.

Quando você tem um filho, você passa a ser, dentro do ambiente familiar, a figura de maior autoridade. Mas não é por isso que você precisa agir com arrogância, ignorância e superioridade. A Disciplina Positiva tem como base, assim como o Método Montessori, o respeito e a empatia.

Existem muitas pessoas que entendem a Disciplina Positiva como uma forma de permissividade e isso é extremamente equivocado. Tratar uma criança empaticamente e evitar dizer “nãos” desnecessários e grosseiros não significa que deixaremos que elas tomem conta da situação, muito pelo contrario. Ao tentar entender e explicar para a criança o que nós precisamos que ela faça por nós naquele momento e o que ela própria está sentindo, você dá uma autonomia e senso disciplinar muito maior do que a educação tradicional daria (mais uma vez, esse é apenas o meu ponto de vista e o que eu acredito). Afinal, você deve concordar que é mais útil aprender determinado conteúdo do que apenas decorar sem refletir sobre aquilo, seja lá o que for.

Quando você trata uma criança com amor, compaixão, respeito, empatia e guia o seu caminho respeitando suas necessidades e sentimentos, você estimula o seu desenvolvimento, autocontrole e discernimento da melhor e mais permanente forma possível.

Lidar com crianças não é uma tarefa simples, mas seguir por um caminho que você acredita deixa tudo um pouco mais claro, acredito. Lembre-se que tudo pode ser adaptado, repensado e reestruturado de acordo com a necessidade de cada família e de cada criança.

É claro que o que vai funcionar pra mim pode não funcionar no seu núcleo familiar, mas de uma coisa eu tenho certeza: todos merecem ser respeitados. Seu filho, seu vizinho, a moça que te atende na padaria e todos que cruzarem com você por aí. Independente do jeito que você escolher criar suas crianças, a base de tudo está no amor e no respeito. Se isso nunca faltar, então tudo vai dar certo.

Até os meus filhos nascerem, eu espero já ter aprendido sobre várias outras coisas e refletido ainda mais sobre tudo isso. Eu não tenho medo de quebrar as tradições e seguir o meu próprio caminho, o que eu acredito que seja o melhor pra mim e pra minha família. E, melhor do que dizer o que você precisa fazer agora, eu aconselho que você reflita e busque informações sempre que necessário, assim todos saem ganhando.


Pra encerrar, vou deixar alguns links bem legais que vocês podem ler e entender melhor tudo o que eu falei no post de hoje. Aproveitem o conteúdo e depois voltem aqui pra nos contar o que acharam, o que pensam e como pretendem fazer ou como fazem por aí. Tem alguma dica pra nós? Deixem aqui nos comentários. Adoramos ler tudo que vocês escrevem pra gente.

Saiba mais:
Método Montessori
Disciplina Positiva
Mitos sobre Discplina Positiva

O que nós sabemos sobre educar filhos?

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Educar filhos

Tem uma coisa que anda me intrigando muito e eu queria compartilhar com vocês. Desde que a Bia começou a me explicar o que ela já estudou sobre parto humanizado, criação com apego, Método Montessori e sobre tudo que é relacionado a educação infantil, eu tenho percebido o quanto eu sou ignorante no assunto.

Educar filhos parece uma tarefa bem distante, quando pensamos nas nossas prioridades. Enquanto estamos preocupados com nossos trabalhos, saúde e relações amorosas, nós nos esquecemos completamente de estudar sobre a criação dos filhos. Talvez a gente crie uma falsa sensação de que, durante os nove meses da gravidez, nos tornaremos aptos pra desenvolver qualquer tarefa materna/paterna. O problema é que não tenho visto por aí ninguém se preocupando sobre o assunto, nem antes de engravidar, nem durante a gestação ou mesmo quando já se tem filhos.

Se compararmos o ato de educar filhos com qualquer profissão, veríamos o quão inconsequente é começar a aprender uma tarefa somente baseado no que você acha que é certo, ou baseado no que os seus pais disseram. Seus filhos serão educados por um método de repetição do que os seus pais fizeram com você e o que os seus avós fizeram com eles. Ou seja, basicamente ninguém sabe de fato o que está fazendo com os filhos.

Devo admitir que continuo sem dominar ou sequer saber muita coisa sobre educar filhos, mas o que ando refletindo é justamente a importância de começar a me preocupar desde já com isso. Se eu e a Bia pretendemos ter nosso primeiro filho daqui uns três anos, já passou da hora de começarmos a saber o que fazer. E você, se pensa em ter filhos em algum momento da sua vida, seja daqui um ano ou dez, deveria buscar se informar melhor também.

Existe uma infinidade de informação disponível sobre o assunto. Desde livros específicos para cada fase da criança até artigos de especialistas e blogs focados em criação e educação infantil, como o blog do Paizinho, Vírgula, o site Socorro, meu filho não estuda e o canal no YouTube da Flávia Calina. Não sei quais são os seus princípios e o que você pretende passar para os seus filhos, mas tenho certeza que nesse universo de conteúdo você vai conseguir achar os métodos que mais se encaixam na sua forma de ver o mundo.

Eu não duvido do amor incondicional de um pai e de uma mãe por suas crianças, mas como eu disse antes, parece que ninguém sabe muito bem o que está fazendo. Bater ou não bater? Deixar de castigo ou dar toda a liberdade do mundo? Ser linha dura ou ser parceiro? Pegar no colo quando está chorando ou não? É natural que a gente tenha dúvidas de como lidar com os filhos, mas ao invés de buscarmos formas eficazes de como resolver essas questões, preferimos confiar exclusivamente na nossa opinião. E quando decidimos ir um pouco mais além, a gente pede, no máximo, a opinião dos nossos pais e avós. E tudo vai virando uma bola de neve.

Vale lembrar, por contraponto, que teoria nenhuma vai servir se a prática não acontecer de forma adequada. Assim como diplomas na parede não garantem que um profissional seja bom no que faz, tudo o que você aprender sobre como educar filhos não vai te fazer necessariamente um bom pai ou uma boa mãe. Mas com certeza vai ajudar muito no processo.

É curioso como a gente estuda sobre tantas coisas pra podermos expandir nossos conhecimentos, mas continuamos lidando com a educação infantil na base do achismo. E, conforme os anos passam, vamos jogando a responsabilidade dos nossos erros nos nossos filhos, como se eles fossem as piores pessoas do mundo.

É hora de rever os nossos princípios. Precisamos questionar o que acreditamos e ver se é isso o que queremos ensinar às próximas gerações. Temos que ser mais conscientes do que estamos fazendo e buscar mais informação sobre como lidar com aqueles que são tão importantes nas nossas vidas: os nossos filhos.


Aproveite para ler também o post da Bia:

E deixo aqui alguns artigos interessantes sobre o assunto: