Morando longe da família

Publicado em Cotidiano, Morando Junto
Morando longe da família

Estamos morando em São Paulo novamente há quase duas semanas e, desde que voltamos de Curitiba, algumas percepções sobre a vida adulta foram atualizadas. Uma delas é a questão de deixarmos nossos pais e estarmos morando longe da família.

Tenho lido na internet alguns posts de pessoas que se mudam de cidade para estudar numa universidade federal ou porque arrumaram aquele estágio que só é possível de conseguir estando numa cidade grande como São Paulo. E a maior preocupação delas, sem dúvida, é de como vão se virar sozinhas, num lugar desconhecido. Bom, de certa forma, isso também aconteceu com a gente.

Logo que decidimos mudar para Curitiba, a presença da minha família e da família da Bia foram essenciais no processo. Nossos pais, irmãos, tios e avós ajudaram financeiramente como podiam, sem contar toda a ajuda que nos deram para empacotar e embalar todas as nossas coisas. Uma vez que já estávamos em Curitiba com tantas coisas para resolver, percebemos o quão difícil seria levar a vida longe de quase todas as pessoas que conhecemos.

Durante um ano morando longe da família na capital mais fria do Brasil, apesar dos pesares, até que conseguimos nos virar muito bem sem nossos parentes por perto. Não tínhamos carro e não conhecíamos muita gente na cidade; quem a gente conhecia não morava muito perto do nosso apartamento. Assim, acabamos aprendendo a fazer muitas coisas por conta própria, mas estávamos sempre fazendo ligações para nossas mães. Afinal mãe sempre sabe resolver as coisas, mesmo de longe.

O que mais me preocupava, no entanto, era o fato de que eu estava trabalhando bem longe e passava mais de 12 horas fora. A Bia trabalhava em casa e passava praticamente o dia todo sozinha, inclusive durante as crises de pânico (leia o relato dela sobre o pânico aqui) ou qualquer outro mal-estar que estivesse sentindo. Algumas vezes, inclusive, precisei sair às pressas do trabalho e ir para casa ficar com ela. As vezes em que precisamos ir a algum hospital também foram complicadas, já que não tínhamos (nem temos) carro.

Felizmente, nunca aconteceu nenhuma situação tão grave que não conseguimos resolver. Mas deixava a gente um pouco tenso saber que estávamos morando longe da família e que, numa emergência, tudo poderia ser mais complicado. Agora, de volta a São Paulo, temos refletido melhor sobre isso.

Aqui onde estamos morando, conhecemos muita gente. Além de alguns vizinhos e porteiros, podemos contar com minhas irmãs, que também são da região. Nossas mães moram no interior, mas em questão de três horas, já estamos na cidade em que está a família da Bia. Nesse apartamento em que estamos, continuamos morando só nós dois e temos resolvido quase tudo por conta própria, como já era antes, mas percebemos que estar um pouco mais perto da família tem suas vantagens. Não só para emergências, mas por estar próximo mesmo. Temos visto minhas sobrinhas com mais frequência e acompanhar a infância delas mais de perto é muito gratificante para nós. Estamos sendo ajudados por nossas famílias, mas agora também podemos ajudar com o que der, caso precisem. Existem brigas, como em todas as famílias, mas também existe um “conte comigo” que estávamos sentindo falta.

Como falamos no post Top 5 – Países incríveis que queremos conhecer, estamos num processo de solicitação de visto para o Canadá, então pode ser que daqui alguns anos acabemos passando por todos esses dilemas novamente, e será ainda mais intenso quando tivermos filhos.

Mas quem sabe o que vem pela frente, né? Não sabemos, mas estamos esperando ansiosamente.