Deixar de morar sozinho para morar junto

Publicado em Cotidiano, Morando Junto
Deixar de morar sozinho para morar junto

Não sei se você já sabe onde vai querer estar daqui 5 anos, mas é possível que você não esteja mais morando no mesmo lugar. Numa época em que cada vez mais as pessoas buscam as oportunidades nas cidades grandes ou, no meu caso e da Bia, fogem de uma capital ensandecida como São Paulo para um lugar mais calmo, parece que já é raro encontrar aqueles que passam a vida toda morando na mesma casa ou no bairro onde nasceram.

Além disso, não só acontece uma mudança física de casa, como acontece a mudança interior de sair do seu lugar-comum. Deixar a casa dos pais para morar sozinho perto do trabalho ou para passar por uma experiência de intercâmbio é como aprender a voar pra sair do ninho mesmo, ainda que você acabe caindo algumas vezes.

Pessoalmente, eu passei por várias dessas mudanças. Morar com a família, fazer intercâmbio, morar sozinho… e agora, morar junto com a Bia, que tem me ensinado muitas coisas que eu nunca imaginei. Em cada situação, eu tive inúmeros aprendizados que não poderiam ter acontecido de outra forma.

Não sou a pessoa mais conhecedora em morar-sozinho-lifestyle. Mal sei cozinhar ou trocar um chuveiro, quiçá sei usar a máquina de lavar, mas me viro como posso. A Bia sabe fazer muitas coisas, então a gente sempre se ajuda em tudo. Já pelo lado psicológico, se um está machucado ou triste, o outro está ali para consolar. Se temos uma DR, precisamos mesmo nos resolver, afinal não existe mais isso de “vamos embora para as nossas casas e amanhã vai estar tudo bem“.

Morar sozinho é uma experiência muito legal, claro. Uma vida regada a miojo e cerveja, um monte de roupa suja espalhada pelo chão e música alta tocando 24h por dia. Mas quem disse que morar junto não pode ser igual ou tão divertido quanto? Pelo menos com a gente, não deixamos de ser quem sempre fomos pra morar junto.

Deixar de morar sozinho para morar junto

E você também pode, ao invés de dividir a vida com alguém que viva te recriminando, encontrar alguém que seja bem parecido com você. É claro que muita coisa vai mudar e você vai ter que aprender a tirar a toalha molhada de cima da cama (tava na hora, né?) ou aprender a ceder o último pedaço de pizza por amor. Mas não vai existir desconforto se, antes de tudo, houver cumplicidade e empatia.

Morar junto é uma das melhores possibilidades na vida para se autoconhecer, esteja você casado ou mesmo antes disso. Enquanto a geração Tinder preza pelo desapego emocional, tenho certeza que sempre vão existir aqueles como nós, que preferem aprender com os erros e evoluir ao lado de outra pessoa, ao invés de tentar fugir dos próprios defeitos.

Pegue a roupa suja do chão, junte os cacos dos seus traumas passados, tire os seus defeitos debaixo do tapete.

Limpe a casa, arrume a vida.