Ideias de decoração para apartamento pequeno

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Decoração para apartamento pequeno

Quando nos mudamos para Curitiba, a ansiedade de ter logo um lugar pra morar era enorme, mas confesso que a parte mais legal de todas foi pensar nas ideias de decoração para apartamento pequeno. É a primeira vez que podemos pensar em tudo sozinhos e deixar todo um apartamento com a nossa cara e, embora tenha dado muito trabalho, foi recompensador.

Eu sei que tem gente que acha que pensar na decoração dos ambientes é um tanto quanto inútil, mas eu garanto que ter um lugar pensado pra você e que te faz feliz é extremamente importante em todas as situações. Nós aqui em Curitiba estamos longe da família e de vários de nossos amigos, mas conseguimos nos sentir verdadeiramente em casa depois de decorar o nosso canto.

Ter um apartamento pequeno nos fez valorizar cada pedaço e otimizar todos os ambientes para que coubesse tudo que tínhamos pensado. O espaço reduzido é certamente um desafio na hora da decoração, mas eu juntei algumas ideias que me inspiraram na hora de montar tudo por aqui e resolvi dividir com vocês.

Cozinha + área de serviço

Juro que eu não entendo a fixação por diminuir as cozinhas que esses engenheiros têm. Nós demos sorte por conseguir um apartamento novo e com uma cozinha relativamente grande e uma área de serviço boa, mas visitei alguns que, %$@!&, era impraticável. Se no seu caso a sua cozinha parece mais um armário e sua área de serviço quase não comporta uma pia, siga essas dicas e descubra como é possível deixar tudo lindo nesse espaço minúsculo.

Aposte nos adesivos de azulejo, é fácil de encontrar, de aplicar, de limpar e muda completamente o ambiente. Dá pra ornar o tom dos adesivos com os eletrodomésticos e utensílios também, mas cuidado pra não perder a mão e deixar sua cozinha parecendo um baile de carnaval (se for essa a intenção, vá em frente, mas escolha os tons com carinho pra não enjoar muito rápido). Os adesivos de parede e quadrinhos também se encaixam muito bem nas cozinhas pequenas e dão um ar moderno pro lugar.

Existem áreas de serviço que são impossíveis de mexer, mas dá pra comprar suas vassouras e rodos estampados e isso já vai deixar um colorido interessante no lugar. Outra coisa relevante nesse pedaço do apartamento são os DIY funcionais, eles facilitam na parte de organização e decoram o ambiente também, dá pra pensar em bastante coisa legal e não faltam ideias no Pinterest.

Decoração para apartamento pequeno - Cozinha

Decoração para apartamento pequeno - Área de serviço

Varanda

Nós não temos varanda e isso é muito triste, mas se você tem, pode utilizar esse espaço ventilado e ensolarado (caso você não more entre milhões de outros prédios ou em Curitiba, que não faz sol nunca) pra fazer uma horta ou colocar algumas plantas nas paredes. Esses jardins verticais estão cada vez mais populares e é super fácil de montar um, tem várias ideias legais na internet e é uma excelente opção pra quem não quer deixar a varanda sem nada.

Decoração para apartamento pequeno - Varanda

Sala de jantar

Se você tem uma sala de jantar apertada, não se preocupe, dá pra improvisar um cantinho bem aconchegante e moderno. Já se o seu caso é uma sala de jantar inexistente, você pode optar por usar aquelas mesas que abrem e fecham e otimizar o seu espaço sem perder o charme. Outra dica legal é apostar nos bancos, cadeiras diferentes, mesas redondas e luminárias chamativas. Esses itens não ocupam muito espaço, são customizáveis e ficam lindos em várias combinações diferentes.

Decoração para apartamento pequeno - Sala de jantar

Sala de estar

Geralmente é o lugar mais decorado da casa por ser o cômodo mais utilizado nos apartamentos das famílias tradicionais (aqui nós passamos mais tempo no escritório e na cozinha :D). Mesmo não sendo o lugar mais utilizado, é lá que recebemos as visitas e passamos nosso tempo assistindo séries e vídeos no YouTube nos dias abençoados que não temos que trabalhar, logo, vale o investimento e a dedicação.

Como no nosso caso não dava pra colocar mais do que um sofá de três lugares, optamos com acrescentar pufes e essa é uma saída prática e visualmente bonita. As paredes decoradas também são ótimas opções, e se você mora de aluguel e não pode pintar as paredes, os adesivos e papel contact estão aí pra te salvar. Tem várias opções de decoração na internet, dá pra se inspirar e deixar sua sala maravilhosa.

Decoração para apartamento pequeno - Sala de estar

Banheiro

Assim como algumas áreas de serviço, existem banheiros que quase não dão conta de ter uma pia (é sério, no apartamento em que eu morava em São Paulo, a pia do banheiro ficava no corredor). O jeito aqui é optar pelos DIY também e usar todos os cantinhos da melhor maneira possível. Pra quem pode investir um pouco mais, existem espelhos com formas maravilhosas e dá pra fazer aplicação de pastilhas nas paredes. Essas aplicações ficam lindas, mas é necessário conversar com o proprietário no caso de você morar de aluguel.

Decoração para apartamento pequeno - Banheiro

Escritório

Não é todo mundo que tem a sorte de ter um quarto sobrando e consegue montar um escritório completo com estações de trabalho e tudo mais, mas é possível resolver esse problema de um jeito bem simples. Sabe aquele canto que sobrou e que você não conseguiu fazer ornar com a decoração dos outros ambientes? É ali mesmo que você pode fazer o seu escritório. Para separar um canto ou pedaço de parede, é só delimitar o espaço com um papel de parede diferente, um conjunto de quadros ou umas prateleiras. Aposte numa cadeira confortável e num headphone potente também.

Decoração para apartamento pequeno - Escritório

Corredores

Geralmente são espaços bem inúteis e não cabe quase nada, mas optar por decorar os corredores com um conjunto bem grande e divertido de quadrinhos ou alguns nichos podem transformar esses espaços sem vida em lugares bem agradáveis. Os nichos, além de decorativos, servem pra guardar objetos e, de repente, aliviar algum outro canto de coisas acumuladas. Dá pra fazer corredores temáticos também, usando só fotos de amigos, família, etc ou corredores monocromáticos, vintages, rústicos ou qualquer outra ideia que você tenha.

Decoração para apartamento pequeno - Corredor

E aí? Gostaram das ideias de decoração? Espero que vocês tenham ficado inspirados e que montem vários espaços lindos nos apartamentos de vocês. Se quiserem alguma sugestão mais específica, deixem aqui nos comentários que eu vou adorar responder.

Nosso terreiro de umbanda

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Terreiro de Umbanda

Nos posts anteriores eu contei pra vocês como foi a nossa decisão de mudar de São Paulo para Curitiba, como foi a nossa chegada à cidade e um pouco do processo de locação e mudança para o apartamento novo. O problema é que os desastres não acabaram por aí. Depois que nós nos mudamos para esse apartamento, uma série de coisas engraçadas aconteceram e eu vou contar a história dos nossos primeiros dias pra vocês.

Mesmo chegando sem nenhum móvel e sem água quente no apartamento, a gente estava muito feliz. Passamos várias horas sentados na sala vazia, pensando no que nós precisaríamos comprar primeiro e planejando cada detalhe da decoração.

Só um adendo: o nosso apartamento fica no primeiro andar, mas não é um primeiro andar normal, ele é tão baixo que eu me sinto morando dentro da portaria. A gente nem usa interfone aqui, falamos direto com o porteiro. É sério! Teve um dia que a gente recebeu uns amigos e pedimos uma pizza. O cara fez a entrega pela janela da sala.

Mesmo morando quase no nível da rua, já era um puta avanço não ter a janela do vizinho bem de frente pra sua, como era em São Paulo. Na nossa frente só tinha um terreno grande, bem verdinho e com uma casinha simpática de madeira lá no fundo. Era uma graça e nós estávamos encantados.

Foi anoitecendo e nós fomos ao mercado comprar um colchão inflável pra gente dormir e alguma coisa pra comer. Voltamos e já estava bem escuro. Quando nós abrimos a cortina da janela da sala (que é enorme, ocupa quase a parede toda) nós olhamos para o terreno fofinho da frente e PÁ, levamos o maior susto da vida. Tinha várias velas acesas em volta de cruzes brancas que estavam fincadas na grama. Como é que a gente não viu isso antes? Na mesma hora eu joguei uma pedra na janela do porteiro (mentira, só gritei pra ele) e perguntei “É sério que tem um cemitério aqui na frente e ninguém me avisou?” e ele respondeu “Não é um cemitério, sua besta. É um terreiro de umbanda”.

Ok! Não era uma coisa ruim, eu cresci frequentando terreiros e pro Thiago também não era uma coisa absurda, mas as luzes das velas refletiam na parede do meu quarto, não dava pra dormir daquele jeito, era assustador. E outra, quem garante que um Preto Velho muito velho não vai errar o caminho e parar dentro da minha casa? Não estava pronta pra lidar com isso.

No dia seguinte nós corremos pra uma loja daquelas de construção, mas que vende absolutamente tudo, e compramos cortinas super potentes. Eles não eram a prova de pretos velhos perdidos, mas não deixariam aquelas luzes assustadoras refletirem aqui dentro. Chegamos e já tiramos a cortina fraquinha da sala, colocamos a nova e sabe o que aconteceu? Descobrimos que trocar cortinas é uma tarefa complicadíssima. Pra que trocar de todos os outros cômodos? As luzes são ótimas. Velas são super românticas! Tá bom pra mim assim.

Obviamente não trocamos mais cortina nenhuma e acabamos nos acostumando com a movimentação ali da frente. As pessoas que frequentam o terreiro já são quase da família e quando os tambores começam a tocar lá, nós dançamos aqui.

Caso vocês frequentem o terreiro, aproveitem e venham nos fazer uma visita. Podem entrar pela primeira janela da esquerda. E, se quiserem comprar as nossas cortinas, estamos vendendo por R$50 cada. Não percam!

Ah! Uma informação de brinde pra vocês: Curitiba é uma das capitais com mais terreiros de umbanda e candomblé do Brasil, são mais de quinze mil. Isso não é o máximo?

O dia em que viemos para Curitiba

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Malas - Curitiba

Já contei para vocês em outro post como foi a nossa decisão (sábia decisão, eu diria) de nos mudarmos de São Paulo para Curitiba. O que vocês não sabem é como foi esse dia tão aguardado e nada planejado por nós. Juro que vou fazer um esforço extra pra lembrar de tudo com detalhes, já que a minha memória me ama e apaga automaticamente todas essas coisas bizarras do meu cérebro. Vamos lá!

Na semana da viagem nós decidimos fazer um encontro com os nossos amigos para que pudéssemos nos despedir e matar um pouco a saudade daqueles que a gente não via há bastante tempo. A despedida aconteceu um dia antes de nos mudarmos, e a desgraceira já começou aí. Não consigo entender o motivo até hoje, mas escolhemos o bar mais quente da cidade e mesmo já sendo de tardezinha, cada minuto que a gente passava lá dentro fazia o sol brilhar mais forte lá fora e foi ficando cada vez mais abafado-insuportável-desesperador. Os amigos foram chegando e todos, sem exceção, reclamaram daquele lugar. Alguém muito sensato sugeriu que a gente mudasse os planos e partisse para outro lugar, talvez um pouco mais agradável do que aquela sala de espera do inferno. Fomos para o vão livre do MASP (nosso lugar favorito de São Paulo) e o resto da noite foi maravilhoso.

Voltamos pra casa bem animados e com os corações cheios de amor <3 Conversamos muito antes de dormir e tínhamos certeza absoluta que essa tinha sido a melhor decisão que tomamos na vida. No dia seguinte, acordamos (possivelmente atrasados), conferimos cada cantinho daquele apartamento pra ter certeza que não deixaríamos nada pra trás e partimos com a esperança de que tudo daria certo. O apartamento ficava a dois quarteirões do metrô e, antes da gente conseguir chegar lá, minha mala super gigante e pesada quebrou. No meio da rua. E não tinha cristo que conseguia ajeitar aquelas rodinhas. A solução foi arrastar a mala sem as rodinhas mesmo e seguir o nosso caminho.

Mesmo que você não more em São Paulo, eu imagino que dê pra ter uma ideia de como é o metrô daquele lugar. Pois é! O Thiago nasceu e foi criado pegando metrô, eu morei naquela cidade por mais de dez anos e nós sabíamos bem como era emocionante e complicado entrar na linha vermelha pela manhã. Ainda assim, achamos que seria uma boa ideia pegar o metrô carregando TUDO que a gente tinha. (Eu queria, por favor, que a gente fizesse um minuto de silêncio antes que eu comece a contar o resto da história. Pronto? Obrigada). Eu já estava com vontade de chorar antes mesmo de o trem começar a andar e, pra piorar, quando a gente foi fazer a baldeação pra linha azul, descemos pelo lado errado e, pra consertar esse erro inaceitável, tivemos que subir de escada com a mudança nas costas. Deu tudo certo, na medida do possível, e chegamos na rodoviária do Tietê no horário previsto.

Fonte: imagem retirada da internet

A gente não tinha comprado as passagens ainda (amadores) e já estava bem perto da hora que o próximo ônibus sairia. Quase não tinha ninguém na fila do guichê, mas bem na nossa vez, chegou um senhor puto da vida e entrou na nossa frente pra resolver o problema dele que, aparentemente, era tão importante que não daria pra esperar a gente comprar as passagens. O tempo tava ficando apertado, mas ele conseguiu resolver a pendência que o impedia de viver a sua vida tranquilamente e nós conseguimos escolher os nossos lugares e descer com tranquilidade até a plataforma. Não. Não foi assim. Na hora de pagar, a maquininha de passar o cartão quebrou e a gente ficou lá esperando por alguns minutos que pareceram uma eternidade. Saímos correndo e procurando qualquer lugar pra comprar uma água e alguma coisa pra comer durante a viagem. Descemos as escadas já impacientes e ofegantes, mas quando chegamos na plataforma o nosso ônibus nem tinha chegado ainda. Deu tempo. Ufa!

O problema foi que o ônibus não chegava nunca. Demorou muito tempo mesmo. Ninguém sabia explicar o que estava acontecendo e todos os passageiros já estavam sentados no chão jogando Uno (mentira). Depois de muito esperar, descobrimos que o motorista que nos traria pra Curitiba passou mal antes de chegar à rodoviária e precisou ficar esperando ajuda médica. Coitado! Outro motorista resgatou o ônibus no meio do caminho e seguiu a viagem. Embarcamos e foi tudo ótimo! Era o começo da nossa nova vida e estávamos emocionados (talvez o choro fosse de desespero, mas eu acho que era felicidade mesmo).

Curitiba nos recebeu com um friozinho maravilhoso. Nosso amigo Erick, que além de nos deixar morar no quarto dele por uns dias, nos buscou na rodoviária e ajudou com todas as malas. Depois de passarmos um tempo significativo tentando colocar tudo aquilo dentro do carro, seguimos para o shopping pra, finalmente, encontrar outros amigos e jantar. O carro quebrou quando a gente entrou no estacionamento (parece piada, mas não é). Jantamos todos juntos e voltamos pro carro com a esperança que ele pegaria ou que alguma alma bondosa fosse nos ajudar. O shopping fechou e ainda estávamos lá. Compramos gasolina, ligamos pra irmã, pro tio, pro pai, pro vizinho, pro segurança do shopping e ninguém deu conta de arrumar aquele carro. A solução foi deixar ele lá mesmo e seguir para o apartamento do Erick de táxi.

Já começamos a visitar apartamentos no dia seguinte e logo no segundo dia já tínhamos um escolhido. Foi amor à primeira vista! A papelada começou a ser feita, mas tinha um porém: nossas mães nos ajudariam no processo de locação e estava cada uma num canto do Estado de São Paulo. Os documentos iam de um lugar pro outro e nunca nada dava certo. Uma hora faltava documentos, na outra assinatura, na outra o que faltava era paciência mesmo. Os dias viraram semanas e nada de a gente conseguir mudar pro nosso apartamento. Quando finalmente tudo se acertou, nos mudamos e descobrimos que a gente não tinha pedido pra ligar o gás (não ia dar pra tomar banho quente e o prazo pra ligação era de cinco dias). A gente também não tinha cama. Nem colchão. Nem cobertores. Nem fogão. Nem geladeira. Nem comida. Nem saúde pra aguentar tanto perrengue.

Agora, depois de nove meses dessa saga, estamos recuperados. Nove meses. Essas duas pessoas morando juntas por nove longos meses. Dá pra imaginar o tanto de bizarrices que já aconteceu? Conto pra vocês (em doses homeopáticas. Prometo) num próximo post.