Dizcorrendo rumo ao Canadá

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Dizcorrendo rumo ao Canadá

Desde que começamos a namorar nós conversamos sobre várias mudanças que queremos fazer na nossa vida e mudar de país sempre foi algo que despertava nosso interesse. Nós começamos mudando de São Paulo pra Curitiba, já que era mais fácil, mais barato, mais perto e assim poderíamos testar como lidaríamos um com o outro morando juntos e longe da família (mas não tão longe assim).

Quando estávamos lá por Curitiba, paramos de comer carne, mudamos de profissão e começamos a pensar em quais destinos seriam interessantes para uma próxima parada. Depois de pensar no Uruguai, na Flórida, na Irlanda e alguns outros lugares, chegamos num consenso: vamos tentar o Canadá. Neste post contaremos pra vocês um pouquinho mais sobre essa decisão e quais os motivos que nos fizeram considerar uma mudança tão grande quanto essa.

POR QUE ESCOLHEMOS O CANADÁ

Eu sei que a primeira coisa que vem na sua cabeça quando você pensa no Canadá é o frio absurdo que faz naquele lugar, mas além das baixas temperaturas, o Canadá tem bastante coisa bacana pra oferecer. O que mais chamou nossa atenção quando começamos a pesquisar sobre o país foi a diversidade de culturas presente em várias regiões e a importância real que eles dão para esse assunto. Várias minorias são verdadeiramente representadas pelo governo e existem muitas causas que nós acreditamos que são incentivadas por lá, como é o caso do veganismo/vegetarianismo.

Por ser um país multicultural, o Canadá recebe os imigrantes de forma muito organizada e respeitosa. Pelo tempo que já estamos estudando sobre o assunto, deu pra perceber que seremos bem recebidos e que teremos uma assistência bacana, caso a gente precise. É claro que isso não significa que todos os canadenses serão super receptivos e estarão sempre dispostos a nos ajudar, mas sinto que é um lugar acolhedor e bem estruturado.

Qualidade de vida também é um ponto importante e o argumento mais clássico de qualquer pessoa que pensa em deixar de viver no Brasil. Nós pensamos em ter filhos daqui um tempo e é obvio que queremos um lugar onde a gente se sinta seguro e onde teremos melhores condições estruturais para criar nossos filhos. Viver em um país que acredita e preza pelas mesmas coisas que nós é, sem dúvidas, um motivo forte pra nos fazer mudar.

COMO MUDAR PARA O CANADÁ

Quem já pensou em mudar de país sabe que o Canadá é um dos lugares com mais possibilidades para quem está querendo imigrar. Nosso plano é conseguir um visto de residência permanente e conseguimos várias informações no próprio site da imigração canadense. Acessando o site dá pra verificar os diferentes tipos de processos e descobrir em qual ou quais você se encaixaria.

Feito isso, chega a hora de você se jogar nesse mundo de informações da internet pra começar a entender melhor como os processos funcionam e o que a galera que já fez ou que está no meio do caminho teve que fazer pra conseguir imigrar. Isso foi ótimo pra gente, tirou várias dúvidas, abriu nossa mente pra outras possibilidades, mas também nos deixou receosos de várias maneiras e a quantidade de informações acabou nos confundindo um pouco. Pra resolver esse problema, contratamos um serviço de consultoria de imigração e, nessa conversa com a consultora, esclarecemos todas as questões pendentes.

Então, nossa dica pra você que também está iniciando o processo de imigração para o Canadá é: pesquise tudo que puder sobre os processos existentes, colha todas as informações possíveis e anote todas as suas dúvidas. Feito isso, procure uma consultoria de imigração e converse sobre tudo que tem pesquisado e esclareça o máximo de coisas possíveis com eles antes de dar entrada em qualquer processo. Assim você evita de gastar seu dinheiro e seu tempo sem necessidade.

OS NOSSOS PRIMEIROS PASSOS

Assim que decidimos investir de verdade nessa mudança, antes mesmo de ter uma consultoria, já começamos a nos familiarizar com o processo que escolhemos e separar alguns documentos que seriam necessários de qualquer forma. Então, começamos pelos seguintes itens:

IELTS

Antes de qualquer passo rumo ao Canadá, o seu inglês vai precisar ser testado. Aqui do Brasil nós precisamos fazer o teste do IELTS para saber qual o nível de inglês nós possuímos. Dependendo da nota que for tirada no teste, os pontos no sistema do Express Entry aumentam e pode até dar uns pontos extras em outros quesitos também. Vale a pena investir um tempo estudando pra fazer a prova e tirar uma nota boa, isso vai te ajudar muito. Inclusive, temos um post aqui no blog contando os nossos canais do YouTube favoritos para aprender inglês! Então, se você gosta de aprender sozinho ou quer relembrar algumas coisas, pode dar uma passadinha nesse post e começar os estudos.

Se for interessante pra vocês, podemos fazer um post só contando sobre a prova e explicando como foi a experiência do Thiago. Deixa aqui nos comentários pra gente.

Tradução dos documentos escolares (histórico e diploma)

Se você ainda não tem em mãos os documentos da faculdade, corra pra solicitar e buscar o quanto antes. A faculdade nem sempre é tão rápida e isso pode acabar atrasando as preparações do processo de imigração.

Depois de buscar os documentos, você vai precisar procurar um tradutor juramentado pra traduzir tanto o seu diploma quanto o seu histórico. Você pode dar uma olhada em cada um da sua cidade e escolher o que mais te agradar, seja pelo preço, prazo ou localidade. Mas é muito importante que seja mesmo um profissional, não dá pra ser uma tradução qualquer.

Envio dos documentos escolares para o Canadá

Quando você estiver com tudo traduzido, vai ser necessário enviar esses documentos para alguma instituição canadense que possa validar e equiparar o seu diploma e histórico de acordo com o sistema de educação canadense. Isso é fundamental para que você possa trabalhar por lá em uma vaga que peça educação superior e, o mais importante: o seu número de equivalência de diploma vale muitos pontos no sistema de imigração e sem ele fica bem difícil de conseguir uma pontuação legal.

Nós escolhemos o WES e o envio dos documentos foi bem tranquilo. Também podemos fazer um post apenas sobre isso e explicar melhor como fizemos essa parte.


Vale lembrar que todos esses processos (que só são os iniciais) são caros e o dinheiro precisa ser uma prioridade pra quem pensa em imigrar. Além de precisar comprovar renda pro governo canadense, você ainda vai precisar investir uma grana pesada em todos esses itens citados e nos outros tantos que ainda estão por vir, então preste muita atenção nessa parte e tenha uma boa reserva de dinheiro.

Contamos aqui um pouco da nossa experiência inicial e fizemos um resumo bem básico de como está sendo o processo de visto para o Canadá. Se você tiver interesse em saber mais detalhes sobre algum ponto, deixe sua dúvida pra gente aqui nos comentários e faremos posts mais específicos. Vamos deixar também alguns links que achamos legais e que vão te ajudar bastante na busca por informações.

O que é o Express Entry
IELTS e outros testes de proficiência em inglês
WES – Como equivaler sua educação no Canadá

Morar fora do Brasil – O que devemos considerar

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Morar fora do Brasil

Bom, como já contamos nesse post aqui, eu e a Bia estamos planejando nos mudar para o Canadá a médio-prazo. Enquanto buscamos adiantar os documentos necessários e tentamos resolver toda a parte burocrática (que leva alguns anos), também temos procurado saber tudo que pudermos sobre morar fora do Brasil. Aqui vão os principais tópicos a se considerar na hora mudar de país:

A escolha da cidade

Antes de considerar qualquer aspecto, o mais importante é definir a cidade em que você pretende morar. Provavelmente você já sabe para qual país quer ir e já andou lendo sobre muita coisa de lá. Mas lembre-se que assim como o Brasil, em que cidades como Porto Alegre e Recife têm culturas, sotaques e climas completamente diferentes, os outros países também têm diferenças regionais.

Caso o seu destino seja EUA ou Canadá, que são países geograficamente gigantes, é necessário ponderar os pontos positivos e negativos de cada cidade. Existem cidades superpopulosas e outras menores, em províncias mais quentes e em outras extremamente geladas.

A cidade também vai influenciar o mercado de trabalho disponível para a sua profissão, as oportunidades de estudo para você, seu cônjuge e seus filhos e diversas outras coisas, como alimentação e custo de vida. Então pense bem!

Emprego

Pode ser um emprego formal ou um trabalho autônomo, o importante é procurar muita informação sobre o mercado de trabalho no exterior para a sua área. Se você é profissional de alguma área ligada a TI, design, engenharia ou tecnologia em geral, você já terá vantagens nesse ponto, afinal em vários países essas são as profissões com mais oportunidades.

Vá atrás de sites de emprego da sua área naquele país, converse com profissionais locais e tire todas as dúvidas. Você pode fazer amigos, colegas de profissão e ainda treinar o idioma do país que deseja ir. Lembre-se de pesquisar sobre as limitações de trabalho no país para estrangeiros, pois elas sempre estão atreladas ao tipo de visto que você vai conseguir. E mais um detalhe: os modelos de currículo variam de acordo com o país, então fique por dentro dos formatos mais requisitados e se você vai precisar fazer uma carta de apresentação, etc.

Moradia

Parece não ser um ponto tão importante assim à primeira vista, mas a moradia é, talvez, o mais importante de todos os tópicos listados aqui. Quando se trata de alugar uma casa ou apartamento, tudo se torna muito mais difícil por você ser um estrangeiro. É necessário pagar taxas de seguro de aluguel e dispor de muito dinheiro para os primeiros meses, caso você ainda não tenha conseguido um emprego.

Além disso, vale lembrar que dependendo da região, os custos de transporte e tempo de deslocamento vão aumentar consideravelmente. Se por um lado morar no centro é mais barato e mais acessível para chegar aos lugares, o barulho é maior durante à noite e os apartamentos são menores (às vezes tendo um único cômodo para você, tendo que dividir as áreas do apartamento com outras pessoas). Já nos bairros mais residenciais, as casas e apartamentos são bem maiores, mas as distâncias e valores também aumentam.

Não se esqueça que, se você decidir por um lugar muito pequeno, pode ser que isso interfira na sua adaptação e você não se sinta confortável. E se for para se mudar depois de um certo tempo e passar por toda a dor de cabeça de fazer uma mudança, por que não considerar um lugar um pouco mais aconchegante logo no início, ainda que seja um pouco mais caro?

Há muitos sites para alugar moradia em outros países e isso facilita na hora de procurar o lugar ideal, mas assim como em qualquer lugar do mundo, existem pessoas de má índole que se aproveitam de estrangeiros desesperados para tirar vantagem e dinheiro, então tome cuidado.

Idioma

Muitas pessoas que conheço, provavelmente a maioria das que estão com intenções de morar fora do Brasil, querem ir para países em que se fala inglês, como os EUA, Canadá, Irlanda, Austrália ou Nova Zelândia. Mas também há inúmeras outras que estão em busca de outras culturas, como em países sul-americanos ou nos europeus, como Espanha ou França.

Independente do país, dominar o idioma é um ponto extremamente importante, ainda que para isso seja quase imprescindível a vivência na cultura em questão. É por isso que uma das coisas a se considerar para morar no exterior é que você vai precisar aprender a língua nativa. Se você quer fazer um curso de inglês para se comunicar bem, não há lugar melhor do que nos países que citei acima. Além do aprendizado, você vai conhecer outras pessoas recém-chegadas na cidade e se sentir um pouco menos deslocado.

No caso de você ter um marido/esposa e filhos, o aprendizado do idioma local se torna ainda mais fundamental para que todos se adaptem com mais facilidade. Na hora de procurar emprego, também, o idioma vai ser crucial. Ainda que você seja expert na sua área, se você não conseguir se expressar bem e compreender outras pessoas, vai ser muito difícil de ser aceito em uma vaga. Isso também vale na hora de procurar uma casa para morar, já que você vai precisar entender todos os termos com clareza, para que não seja lesado no contrato ou para que não infrinja alguma regra sem querer.

Clima

O Canadá e os EUA são muito conhecidos pela neve e pelo frio no inverno, mas você sabia que em muitas cidades a temperatura no verão pode chegar em até 50 graus? É, então, nem sempre a fama do país em ser quente ou gelado vale para todas as estações. Sem contar que fatores como umidade, ar seco, intensidade do vento e frequência de chuva/neve vão, sem dúvida, influenciar a sua saúde caso você tenha rinite, sinusite ou dificuldades físicas para se locomover.

Culturalmente, o clima é o aspecto que mais temos visto desmotivar brasileiros que moram em países muito gelados. Se você adora uma praia, o carnaval baiano e gosta de andar de bermuda e regata pra cima e pra baixo na sua cidade natal, talvez você se desanime um pouco em ter que viver 3 ou 4 meses com a temperatura abaixo de zero (às vezes chegando em até -30 graus) e em lugares em que o sol se põe às 4 da tarde. Pode parecer inofensivo e fácil de se adaptar, mas é um desafio e tanto.

Alimentação

O arroz e o feijão fazem falta fora do Brasil, acredite. Talvez você ainda nem tenha pensado nisso, mas, com exceção de fast-foods e redes famosas de restaurante em que o cardápio é o mesmo em qualquer parte do mundo, você não vai comer quase nada igual ao que come no Brasil. Pesquise bem a gastronomia da cidade que você pretende se mudar e o preço dos alimentos lá. Comer fora de casa costuma ser bem caro em alguns países e os restaurantes podem funcionar em horários bem distintos do que estamos habituados.

Se você tiver alguma restrição alimentar, como intolerância à lactose ou glúten, ou se for vegetariano como nós, dê preferência aos países e cidades que tenham opções para você e incentivem outras formas de alimentação, como o veganismo, por exemplo.

Outro ponto importante é que algumas culturas, como a indiana, valorizam a pimenta em seus famosos molhos curry. Se você não for fã de pimenta ou qualquer outro tempero, aprenda o nome de todos os ingredientes e pergunte antes de fazer o seu pedido.

Readequação

Por fim, mas não menos importante, a readequação para morar fora do Brasil, de forma geral, é o que vai pesar quando você já estiver lá. Considere tudo, mas tudo mesmo, o que você faz no Brasil hoje e como é a sua rotina: a distância dos seus amigos e familiares, a sua ocupação profissional, o estudo dos seus filhos, as suas atividades de lazer, as compras e até coisas banais, como o que não pode faltar no seu café da manhã. Falo isso porque fora do Brasil todas essas coisas vão mudar. E, em algum momento, você vai precisar estar preparado, pois vai sentir falta delas.

Coloque na balança o que é mais importante na sua vida e o que você mudaria sem pensar duas vezes. Veja se vale a pena mesmo e estude muito antes de arriscar tudo o que tem. De qualquer forma, faça aquilo o que você acredita ser certo e que quer muito fazer, mesmo que isso inclua mudar para o outro lado do mundo. Você só vai ter certeza estando lá. Se não der certo, tudo bem, vai ser melhor ter tentado do que morrer na dúvida se valeria à pena ou não.


Tem mais alguma coisa que você acha importante considerar para quem quer morar fora do Brasil? Deixe o seu comentário!