Não deixe seu relacionamento pra depois

Publicado em Cotidiano
Não deixe seu relacionamento pra depois

Quando a gente é adolescente e não é muito popular na escola, como era o meu caso, tentamos errar o mínimo possível. Primeiro porque não temos muitas chances, e segundo porque ninguém quer passar vergonha nessa fase, muito menos num relacionamento. E o que tem de mal nisso?

Bom, existe um problema sutil em tentar se livrar das consequências negativas, evitando aquilo que precisa ser feito. E o problema é justamente que um dia você vai precisar enfrentar a situação e não vai saber como. No caso de um relacionamento, pode até parecer inteligente não se envolver com outra pessoa se você não se sente preparado, mas isso nem sempre é uma boa ideia.

Eu sei que é muito doloroso passar por uma desilusão amorosa (inclusive escrevi um post sobre isso e você pode ler aqui), principalmente quando você tem 13 anos e não sabe lidar muito bem com os sentimentos (não que eu saiba alguma coisa agora). Mas eu garanto pra você que é melhor errar e aprender com os erros o quanto antes, ao invés de ir deixando tudo pra depois. Se você já não tem mais 13 anos, mas ainda tá enrolando pra se envolver seriamente num relacionamento porque tem medo de errar, ainda dá tempo de pensar diferente e dar a cara a tapa! A desilusão amorosa é como catapora: quando você é novo, é natural e todo mundo vai entender, mas se você pegar catapora quando for adulto, você vai se sentir muito pior com isso.

Tive poucos relacionamentos na minha vida, mas se tem uma coisa que eu aprendi é que só os seus próprios erros vão te fazer amadurecer. Você pode ler o quanto quiser sobre o assunto, observar e refletir sobre as experiências das outras pessoas e pode até mesmo saber aconselhar muito bem aquele amigo que está passando por uma frustração. Mas você só vai, de fato, adquirir mais maturidade quando tiver a sua própria bagagem de erros e acertos.

Não deixe seu relacionamento pra depois. Aliás, não deixe nenhuma outra coisa pra depois, mesmo se estiver com medo. Se você estiver com vontade de experimentar, confie em você mesmo e faça com responsabilidade. Você vai agradecer depois por ter errado o quanto antes.

Como resolver as brigas de casal

Publicado em Cotidiano, Morando Junto
Brigas de Casal

Eu adoraria saber como resolver as brigas de casal, mas com certeza absoluta ainda estou bem longe de desvendar esse mistério. Ao longo do meu namoro/casamento com o Thiago, descobri que, volta e meia, as brigas vão acontecer, mesmo que a gente se esforce para manter os atritos bem longe. Quem aí nunca se frustrou muito por tentar fazer com que tudo ficasse bem e ainda assim terminou o dia com uma briga?

Pois bem, aqui em casa isso também acontece. Embora eu não tenha chegado numa conclusão e ainda tenha muito pra aprender sobre relacionamentos no geral, separei algumas das coisas que já notei sobre brigas de casal durante esse tempo e eu espero que isso seja útil pelo menos para que haja um momento de reflexão, ainda que seja pra discordar de tudo que eu disser aqui.

De quem é a culpa?

Sem dúvidas essa é, pra mim, a pior parte da briga. Quando estamos alterados e nervosos por conta de problema que não sabemos resolver, tendemos a procurar um culpado antes de qualquer outra coisa. Não preciso ser uma especialista pra dizer que isso passou longe de ser uma atitude saudável, não é?

Existem pessoas que preferem se culpar e carregar o peso de tudo sozinhas e outras que lidam com a frustração jogando a culpa integralmente nos ombros de outra pessoa, e em nenhum desses casos o problema é resolvido. O que eu posso dizer sobre isso é que a empatia precisa prevalecer nestes momentos. Não é tão fácil assim deixar o orgulho de lado e ouvir de verdade o que está sendo dito pela outra pessoa (mesmo que aos berros), mas é necessário.

Precisamos entender que, ainda que não tenha sido de propósito, nós fizemos algo que deixou a outra pessoa magoada e todos aqueles gritos e julgamentos são, na verdade, um pedido de ajuda. Nem sempre sabemos que precisamos de ajuda, muito menos como pedir isso no meio de uma guerra de egos.

Respire fundo e lembre-se que vocês estão do mesmo lado. Se o relacionamento de vocês está passando por um problema, é responsabilidade dos dois resolver isso da melhor forma, sem que um ou outro saia machucado. Dividam esse peso, vocês são uma equipe.

Seus defeitos são piores que os meus

Mesmo quando estamos em um relacionamento, nós continuamos sendo seres individuais com características próprias. Uma característica muito forte e evidente pode ser considerada por alguns como uma qualidade ou como um defeito. No decorrer da sua vida, várias pessoas vão notar essas características e classifica-las, porém, quem passa muito tempo contigo é que vai precisar aprender a lidar com elas.

Eu acredito que, embora indivíduos, vocês juntos formam uma unidade e as qualidades e os defeitos passam a ser compartilhados. Afinal, pode ser que um “defeito” seu só exista porque a outra pessoa tem uma característica conflitante. Num momento de conflito, esses defeitos se tornam ainda mais evidentes e, pensando pelo lado positivo, isso é uma coisa boa.

Existem casais que demoram anos pra descobrir qual o problema e nunca tiveram a oportunidade de resolvê-los. Se você enxerga em outra pessoa uma característica que te incomoda muito, é seu papel mostrar aquilo e ajudar a melhorar a situação ao invés de apontar o dedo e julgar as atitudes tomadas pela outra pessoa.

O melhor de tudo é que vocês estão do mesmo lado e não um contra o outro. Usem o amor que vocês sentem pra pensar na melhor forma de amenizar esse defeito do casal e encontrar um jeito diferente para agir quando isso vier à tona novamente. Reflitam de verdade sobre esses episódios e tentem achar uma solução, não um culpado.

Isso não pode acontecer

Esse é um dos pontos que pecamos muito aqui em casa ainda. Nós acabamos de completar um ano e meio de namoro e é muito injusto que a gente se cobre para ter uma relação perfeita em tão pouco tempo. Nos forçamos para entender que ainda estamos nos conhecendo e nos adaptando e que os conflitos vão surgir uma hora ou outra. E quer saber? Isso vai acontecer durante toda a nossa vida e vai ser assim com você também.

Nós vamos continuar nos conhecendo todos os dias porque somos impermanentes. Passamos por mudanças constantemente e precisamos entender que ninguém vai conseguir conhecer o outro por completo. É libertador quando conseguimos entender que os problemas vão sim existir e que não estamos e nunca estaremos preparados para lidar com tudo. Somos testados todos os dias e vamos errar muitas vezes ainda, juntos e separados.

Mesmo sabendo que não é possível ter uma relação “perfeita”, não deixe que os momentos de brigas virem regras e não exceções no seu relacionamento só porque não dá pra evitar que elas surjam vez ou outra. O que torna o relacionamento bom não é a falta de brigas e problemas, é a vontade de aprender a lidar com aquilo, por mais complicado que pareça.

Como resolver os problemas?

A única coisa que eu sei é que todos ainda vão passar por momentos muito difíceis e que muitas dessas vezes a vontade vai ser de desistir de tudo. O Thiago me disse uma vez que o grande lance da maturidade é estar ciente dos erros e escolher o caminho certo na hora de decidir entre desistir ou superar as dificuldades.

Lá na frente, quando tudo isso estiver resolvido, vamos (eu, você e todos que passarem por problemas) lembrar desses momentos como uma oportunidade que tivemos de aprender sobre nós e sobre os nossos relacionamentos e não como uma fase ruim. Na verdade, quanto pior a situação, mais forte precisamos estar e mais unidos também.

Nunca se esqueçam que, na maioria das vezes, a pessoa que divide a vida contigo está do seu lado e não contra você. Poder contar com quem a gente ama é maravilhoso e não existe alguém que se importe mais com o seu relacionamento do que vocês. Temos a mania de achar que sabemos de todas as coisas e que sempre teremos o controle de tudo, mas na verdade nós estamos em constante aprendizado e não podemos nos cobrar tanto.

Você escolheu alguém pra passar por essa vida contigo e eu tenho certeza que não tem ninguém melhor pra estar do seu lado agora. Faça valer a pena e dê pra vocês a oportunidade de aprender um com o outro, sem julgamentos.

Gosta de posts assim? Se quiser ler mais sobre o assunto, pode ir para o post sobre Discussão de Relacionamento ou Divisão de Tarefas. Espero que goste deles também!

Ah, você tem alguma dica ou quer nos falar alguma coisa sobre o que eu escrevi? Deixa um comentário aqui no blog, vamos adorar saber como você pensa.

Deixar de morar sozinho para morar junto

Publicado em Cotidiano, Morando Junto
Deixar de morar sozinho para morar junto

Não sei se você já sabe onde vai querer estar daqui 5 anos, mas é possível que você não esteja mais morando no mesmo lugar. Numa época em que cada vez mais as pessoas buscam as oportunidades nas cidades grandes ou, no meu caso e da Bia, fogem de uma capital ensandecida como São Paulo para um lugar mais calmo, parece que já é raro encontrar aqueles que passam a vida toda morando na mesma casa ou no bairro onde nasceram.

Além disso, não só acontece uma mudança física de casa, como acontece a mudança interior de sair do seu lugar-comum. Deixar a casa dos pais para morar sozinho perto do trabalho ou para passar por uma experiência de intercâmbio é como aprender a voar pra sair do ninho mesmo, ainda que você acabe caindo algumas vezes.

Pessoalmente, eu passei por várias dessas mudanças. Morar com a família, fazer intercâmbio, morar sozinho… e agora, morar junto com a Bia, que tem me ensinado muitas coisas que eu nunca imaginei. Em cada situação, eu tive inúmeros aprendizados que não poderiam ter acontecido de outra forma.

Não sou a pessoa mais conhecedora em morar-sozinho-lifestyle. Mal sei cozinhar ou trocar um chuveiro, quiçá sei usar a máquina de lavar, mas me viro como posso. A Bia sabe fazer muitas coisas, então a gente sempre se ajuda em tudo. Já pelo lado psicológico, se um está machucado ou triste, o outro está ali para consolar. Se temos uma DR, precisamos mesmo nos resolver, afinal não existe mais isso de “vamos embora para as nossas casas e amanhã vai estar tudo bem“.

Morar sozinho é uma experiência muito legal, claro. Uma vida regada a miojo e cerveja, um monte de roupa suja espalhada pelo chão e música alta tocando 24h por dia. Mas quem disse que morar junto não pode ser igual ou tão divertido quanto? Pelo menos com a gente, não deixamos de ser quem sempre fomos pra morar junto.

Deixar de morar sozinho para morar junto

E você também pode, ao invés de dividir a vida com alguém que viva te recriminando, encontrar alguém que seja bem parecido com você. É claro que muita coisa vai mudar e você vai ter que aprender a tirar a toalha molhada de cima da cama (tava na hora, né?) ou aprender a ceder o último pedaço de pizza por amor. Mas não vai existir desconforto se, antes de tudo, houver cumplicidade e empatia.

Morar junto é uma das melhores possibilidades na vida para se autoconhecer, esteja você casado ou mesmo antes disso. Enquanto a geração Tinder preza pelo desapego emocional, tenho certeza que sempre vão existir aqueles como nós, que preferem aprender com os erros e evoluir ao lado de outra pessoa, ao invés de tentar fugir dos próprios defeitos.

Pegue a roupa suja do chão, junte os cacos dos seus traumas passados, tire os seus defeitos debaixo do tapete.

Limpe a casa, arrume a vida.