Qual a hora certa para ter um filho?

Publicado em Cotidiano
Hora certa para ter um filho

O post de hoje é um pouco diferente, é quase que um desabafo. Qual é a hora certa para ter um filho? Já faz um tempo razoavelmente grande que eu penso nisso e converso com o Thiago sobre o assunto. Antes que vocês pensem besteira (safadinhos), eu já adianto que não pretendemos ter filhos agora, mas não posso negar que o assunto já faz parte da nossa rotina e que discutimos isso com certa frequência.

Acho que eu sempre quis ser mãe. Pelo menos não me lembro de ter passado alguma época da vida achando que essa não seria uma boa ideia (só quando meus irmãos me deixavam louca e quase acabavam com o estoque de paciência que eu tenho pra vida). Passei boa parte dos últimos anos fazendo planos e tentando decidir, baseada no que eu já tinha visto e vivido, qual seria o melhor momento da vida, a hora certa para ter um filho.

Eu nasci quando minha mãe ainda era adolescente e, embora pra ela não tenha sido fácil no começo, hoje considero que nós temos uma boa relação e eu acredito que a pouca diferença de idade entre nós contribuiu pra isso. A geração dela não é tão distante da minha e ela conseguiu me acompanhar de perto e quase que fazer parte do meu universo. Eu sei que existem mães bem mais velhas que se esforçam para que a diferença de idade não interfira na relação com os seus filhos e que são excelentes mães, mas eu relacionei a pouca idade da minha mãe com a nossa amizade e por isso decidi que 25 anos seria a idade ideal. Já teria passado da adolescência e estaria mais madura, mas longe de ser velha. Era a idade perfeita e estava tudo planejado, até que eu cheguei aos 24.

A “hora de ser mãe” já está logo aí e eu não me sinto preparada. E não é porque eu não sei cuidar de crianças (cuidei dos meus irmãos e já fui babá de 4 crianças ao mesmo tempo), e eu me considero até boa com elas. O problema é que quem eu sou hoje é muito diferente de quem eu achei que seria quando fazia esses planos. Eu quero ser mãe e isso tem ficado cada vez mais forte dentro de mim, mas quem disse que existe uma idade certa para ter um filho e que é errado não seguir um cronograma? Nós estamos em constante mudança e seria um absurdo não adaptar os planos do passado com a minha vida de hoje.

Gestante - Hora certa para ter um filho

Em menos de um ano eu mudei de cidade, parei de assistir televisão, parei de comer carne e amadureci os meus pensamentos e sentimentos. Eu estudo muito sobre tipos de parto, tipos de métodos de ensino e de criação, sobre alimentação infantil e converso muito com o Thiago sobre tudo que envolve esse universo e sabe o que eu descobri? Que eu preciso de mais tempo. Estudar nos prepara tecnicamente, mas nós sentimos que ainda precisamos um do outro, que ainda temos que passar por coisas que não tivemos oportunidade de viver, que ainda precisamos sanar as dúvidas existenciais que surgem todos os dias (e que eu sei que vão continuar surgindo). Eu amadureci tanto que aceitei que não é a idade que vai fazer de mim uma boa mãe.

Vou continuar pensando nisso, vou continuar querendo ser mãe mais do que tudo nesse mundo, mas sem deixar que os planos feitos pela Ana Beatriz do passado interfiram no momento que estamos vivendo agora. Eu sei que, assim como eu, existem outras mulheres confusas e casais que também estão passando pelo mesmo momento que nós estamos e foi por isso que eu decidi escrever tudo isso. Foi pra mostrar que tudo bem se sentir confusa, que isso acontece com outras pessoas e que vai continuar acontecendo. Não existe uma fórmula mágica, uma idade ideal e ninguém nunca vai conseguir dizer qual a hora certa para ter um filho. Precisamos levar em consideração quem nós somos agora, qual é o nosso momento e então qualquer hora pode ser a hora certa.

Eu tenho feito tudo que posso pra me libertar desse peso que é escolher a hora de começar uma família e entender que não é culpa minha não estar preparada. Cada um tem o seu próprio tempo e isso precisa ser conversado e respeitado. Ser mãe é uma responsabilidade grande demais, então não fiquem preocupadas em seguir os “padrões”, não fiquem presas aos planos e não façam nada sem que dentro de vocês aquilo faça sentido.

Se você também já passou por esse momento ou se está vivendo isso agora, conta pra gente aqui nos comentários ou por e-mail, se preferir. Eu tenho certeza que você pode contribuir de alguma forma e todo comentário, dúvida ou desabafo será bem vindo.

Hoje e sempre, estarei ao seu lado

Publicado em Cotidiano, Crônicas
Ao seu lado

Eu sei que nem sempre é fácil. A gente briga, fica nervoso, a cabeça dói e chegamos a chorar, às vezes gritar. Tem dias que tudo que a gente quer é ficar num canto quietinho ou embaixo do cobertor, vendo séries e comendo pipoca. Tem dias que a gente não quer falar muito, nem discutir – só ficar abraçados mesmo.

Promessas de viver felizes para sempre a gente faz desde o primeiro dia. Quem não quer ser feliz ao lado de alguém que ama? Nós sonhamos a vida inteira com isso, nos imaginamos daqui dez anos cercado de crianças. O coração chega a bater mais forte quando sabemos que encontramos quem é que vai dividir o resto da vida conosco. Mas a promessa mesmo, que às vezes esquecemos sem querer, é a de estar sempre presente principalmente na doença, na tristeza e na pobreza.

Hoje e sempre, eu estarei ao seu lado. Quando estivermos velhinhos, tricotando na cadeira de balanço, vamos nos perguntar: afinal, o que aprendemos com a vida que passamos juntos? E mais do que o saudosismo dos bons momentos, serão lembradas as decisões que tomamos juntos nas dificuldades. Afinal, quanto tempo será que ainda temos? Uns 60 anos? Talvez menos (ou mais, vai saber!).

Não sabemos quanto desse tempo vai ser de alegria e quanto vai ser de tristeza, mas tenho certeza: o conforto que sempre procuramos agora temos em nós.

Por que morar junto antes de casar

Publicado em Cotidiano, Morando Junto
Morar junto antes de casar

Morar junto antes de casar ainda é visto como uma atitude duvidosa e muitos casais que optam por esse caminho escutam algo parecido com “Hum, quero ver quanto tempo isso vai durar!” ou “Vão brincar de casinha?” ou então “Mas sem casamento? Isso não está certo”. Assim como muitas outras pessoas, nós também passamos por isso e eu resolvi fazer esse post para ajudar outros casais que estão na dúvida se esse é ou não o caminho certo e mostrar que morar junto antes de casar pode ser sim muito saudável e vantajoso.

Namorar morando separado e namorar morando junto são experiências completamente distintas e cada uma tem vantagens e desvantagens diferentes. É claro que eu não estou aqui pra dizer o que é certo ou errado, mas acho importante compartilhar as nossas experiências e o que tiramos de positivo desse período morando juntos. Nós sempre conversamos sobre isso e eu selecionei os pontos que são mais importantes pra gente.

Se conhecer

Concordo que morar numa caverna no Tibet rodeado por ovelhas pode ser a melhor opção para um total autoconhecimento, mas na nossa realidade, morar com alguém que não seja seus pais, avós, irmãos ou qualquer outra pessoa que tenha participado ativamente da sua vida, é quase tão esclarecedor quanto o isolamento.

Quando você divide um espaço com alguém, você passa a ser visto com novos olhos, por uma pessoa que quer te conhecer profundamente e que acaba descobrindo em você qualidades e defeitos que nunca tinham passado pela sua cabeça. É uma excelente oportunidade para você refletir sobre como as outras pessoas te veem, sobre quem você é, sobre quem você quer ser e como quer chegar lá.

Conhecer a outra pessoa

Ao mesmo tempo em que você está sendo observado, você também está observando. Morar junto te dá a oportunidade de enxergar quem você ama sob outra perspectiva. Você deixa de ser um admirador e passa a fazer parte da realidade de outra pessoa e dividir com ela todos os momentos bons e ruins.

Parece brincadeira, mas todos os dias eu aprendo um pouco mais sobre quem é o Thiago e sobre como nós funcionamos juntos. Não é todo dia que você vai descobrir algo legal e nem sempre vai ser fácil aceitar aquilo na sua vida, mas eu garanto que esses momentos de descoberta e aprendizado são os mais importantes do relacionamento.

Aprender a resolver problemas

Junto com as descobertas vêm os problemas. Por melhor que seja o relacionamento de vocês, os atritos vão acontecer o tempo todo e isso pode ou não virar um problema grande. Quando você dividir sua vida com alguém, vai descobrir que brigas não são tão legais e que atrapalham muito a convivência. Ter uma DR pra cada atrito que surge parece bem cansativo, mas pode ter certeza que acumular coisas ruins que acontecem e ter que resolver um problema enorme depois não é a melhor saída (falamos sobre discussão de relacionamento nesse post aqui, vale a leitura).

Aos poucos vocês vão descobrindo qual a melhor forma de resolver os atritos e como fazer para que as diferenças entre vocês sirvam como aprendizado e não atrapalhem o relacionamento. Quando você aprende a resolver os problemas dentro de casa, descobre que o jeito como você age nessas situações pode te ajudar em outros ambientes também, como no trabalho ou na faculdade, é só uma questão de adaptação e você transforma todos os seus relacionamentos em algo agradável (na medida do possível, né? Tudo faz parte de um processo e não vai ser simples e maravilhoso logo de cara).

Aprender a ter empatia e paciência

Quando você se deparar com essa quantidade de atritos e problemas, vai perceber que pra resolver tudo isso como eu mencionei no tópico anterior é necessário ter muito mais paciência do que você imagina. E ter paciência não é só ignorar o que está acontecendo ou tratar aquela determinada situação superficialmente, é ter empatia pela outra pessoa e entender como ela está se sentindo.

Parece complicado e é mesmo, mas se você estiver disposto a fazer com que o relacionamento de vocês funcione, com o tempo você vai perceber que não vai precisar se forçar a ter empatia, isso vai fazer parte da sua vida e deixar tudo mais leve. Ter empatia e paciência não faz bem só pra outra pessoa, faz bem pra você também e todos ao seu redor vão perceber isso.

Morar junto não significa que depois de um tempo você vai assinar os papéis e casar oficialmente com a outra pessoa. Vocês podem perceber ao longo do caminho que funcionam melhor separados e tudo bem se isso acontecer. Na minha opinião, esse período não determina se vocês passarão ou não muito tempo juntos, se assinarão ou não os papéis, mas mostra quem você é e como você lida com tudo isso. Se você se frustrar, use isso como aprendizado também e faça diferente numa próxima vez, sempre lembrando que as pessoas são diferentes e merecem respeito em qualquer situação.

Já passou por algo assim? Você também mora com o seu namorado? Divide sua experiência com a gente aqui nos comentários e acompanhe os próximos posts que estão bem legais!