Transtorno de ansiedade e pânico

Publicado em Cotidiano
Síndrome do pânico

Neste post eu descrevo como eu me sinto durante uma crise de pânico. Se você não se sente bem lendo esse tipo de relato ou se acha que isso pode te fazer entrar em crise, por favor, não leia. Tem vários outros posts legais aqui no blog e eu tenho certeza que você vai encontrar algum que você goste de ler. Se em outro momento você se sentir confortável para voltar nesse post, será muito bem vindo! 

Poucas pessoas sabem, mas eu fui diagnosticada com transtorno de ansiedade e síndrome do pânico há um tempo. Quem não me conhece bem nem imagina o quão cansativo e estressante isso é pra mim e para as pessoas que convivem bastante comigo. Embora eu não goste de falar sobre isso, gosto de ler o que as pessoas têm pra dizer e me faz bem saber que eu não tô sozinha. Mesmo sendo complicado pra mim, eu decidi fazer um post aqui sobre o assunto e tentar ajudar alguém, mesmo que seja só por alguns instantes.

Dizem que a ansiedade é o mal do século e eu não escapei disso. Lá no começo de 2010, primeiro ano de faculdade, eu comecei a sentir os efeitos de uma vida agitada demais e uma cabeça pouco preparada pra lidar com aquilo tudo. Eu acordava no meio da noite sem conseguir respirar (mesmo) como se alguém estive tampando o meu nariz ou como se o teto estivesse perto demais e me sufocando.

Depois de alguns episódios desses no meio da noite, as crises foram tomando um espaço maior na minha vida e ficando cada vez mais intensas. Não importava o lugar, o que eu estava fazendo ou quem estava comigo, tudo era motivo pra me fazer ter uma crise de pânico. O que eu sentia já era diferente do começo: o ar continuava sumindo, era como se o oxigênio estivesse muito denso e eu fraca demais pra inspirar e expirar; o corpo todo começava a não responder direito e eu suava tão frio que ficava difícil não tremer; logo depois começava a sensação de formigamento, que podia ser numa área pequena ou por todo o corpo (às vezes eu sentia em tudo, até na língua); o coração batia tão forte que chegava a doer, de verdade. O coração disparado era a única coisa que eu conseguia ouvir além daquilo que não saía da minha cabeça e era mais alto que do qualquer coisa: “você está morrendo”.

Pode ser engraçado pra algumas pessoas, mas eu realmente achava que estava morrendo e isso não é nada cômico. Minha mãe era a única que conseguia me acalmar e me fazer entender que estava tudo bem (as outras pessoas geralmente não estavam muito interessadas em ajudar). Muitas vezes ela ficava comigo no telefone me lembrando de respirar ou sentada no sofá do meu lado puxando qualquer assunto pra me distrair e mostrar que ela estava pronta pra correr pra um hospital caso necessário.

As idas ao hospital foram várias e eu tenho alguns eletrocardiogramas na coleção. Embora no hospital me falassem sempre a mesma coisa – está tudo bem com você, não se preocupe , a minha cabeça sempre me preparava pro pior. Já tive muitas crises de choro e passei muita vergonha em consultórios por aí.

Muita gente me pergunta se eu sabia o que me faria ter uma crise e por muito tempo a resposta foi não. Eu tinha crises o tempo todo. Na faculdade, na padaria, no ônibus, no cinema, tomando banho, dormindo… Não conseguia achar um padrão e tudo que eu sabia era que qualquer coisa poderia me matar. Tudo começou a mudar quando eu achei que fosse mesmo perder o controle da minha cabeça e resolvi que eu precisava ouvir a minha mãe e procurar um psiquiatra. Como você pode imaginar, a solução foi tomar antidepressivos e algumas gotas de Rivotril, mas esse período de medicação não durou muito tempo. Era claro que eu não conseguia me controlar sozinha e precisava da ajuda dos remédios, mas não queria que aquilo dominasse a minha vida.

Durante esse período, aproveitei os efeitos da medicação para aprender a controlar o meu corpo e a minha cabeça. Comecei a perceber quais eram os gatilhos que iniciavam minhas crises e como eu podia fazer aquilo parar. Foi assim que eu descobri o poder da respiração controlada e a força da minha concentração. Parei de tomar os remédios e comecei a tentar a me acalmar sozinha, apenas prestando atenção no ar que entrava e saía do meu corpo e conversando comigo mesma, distraindo a minha mente daquelas coisas ruins e focando no que me fazia bem. Isso me ajudou e ajuda demais.

Embora isso tenha começado há mais de seis anos, eu ainda não me livrei completamente desse transtorno. Ainda tenho arrepios só de me imaginar sem conseguir falar com a minha mãe. Mesmo que eu não more mais com ela (me sinto muito adulta quando falo isso), ainda corro pro telefone quando minhas técnicas de concentração não funcionam.

Não sei se isso é comum a todas as pessoas que sofrem ou sofreram com pânico, mas ao longo do tempo eu desenvolvi algumas fobias estranhas, como por exemplo, medo de comer pipoca. Sei que parece tosco, mas comer pipoca é sempre uma tarefa complicada pra mim. Eu como, mas como pensando no risco de engasgar e isso é bem estressante. O som alto e contínuo também é um problema, mas eu não sei explicar muito bem o motivo e nem como eu me sinto.

Por fim, depois de contar como o transtorno de ansiedade e o pânico interferem na minha vida, eu gostaria de deixar os meus conselhos pra quem também passa por isso:

  • Em primeiro lugar e mais importante: não tenha vergonha de pedir ajuda. Todo mundo tem ou vai ter algum problema que não consegue resolver sem o auxílio de alguém. Procure um médico, a sua mãe, seu pai, seu vizinho, não importa, só não passe por isso sozinho.
  • Não tome remédios sem orientação médica e, se seu médico iniciar um tratamento, não interrompa sem que ele autorize. Isso pode fazer com que os seus sintomas voltem com força total.
  • Respire. Eu sei muito bem que às vezes isso parece impossível, mas, vou compartilhar uma coisa que me disseram num consultório médico durante uma das minhas muitas visitas ao hospital. Fui reclamar que não estava conseguindo respirar e minha médica disse: “Se você fala, você respira.” Logo, se você consegue falar o que tá sentindo, você consegue respirar e saber disso vai te acalmar. Fale o que está sentindo, mesmo que sozinho, e preste atenção na sua respiração enquanto faz isso.
  • De novo, respire. Sinta como é maravilhosa a sensação de ter o seu peito cheio de oxigênio. Solte o ar devagar e coloque a mão na frente da boca para que você sinta mesmo o ar saindo de dentro de você.
  • Mantenha a sua concentração. É complicado no começo, mas treine a sua mente para que ela foque apenas no que você quer e no que te faz bem. A respiração suave e ritmada ajuda mundo nessa parte.
  • Não procure os sintomas no Google no meio de uma crise, isso vai te fazer triplicar o que está sentindo e não vai ajudar em absolutamente nada. Acha que não está normal? Procure um médico.
  • Tenha paciência e não se culpe. Você já carrega um peso grande demais, desvie os pensamentos negativos.

Não foi nada fácil escrever esse post. Só quem passa por isso sabe o quanto é doloroso e o tanto de esforço que a gente precisa fazer pra que fique tudo bem a maior parte do tempo. Espero ter ajudado de alguma forma quem leu esse texto. Seja uma pessoa que sofre com isso também ou alguém que apenas se interessa pelo assunto, independente do motivo.

Lembrem-se sempre de prestar atenção na sua respiração. Essa é a resposta pra vários dos seus problemas, eu tenho certeza.

Se quiser compartilhar sua história com a gente, vamos adorar, de coração.

Clue – App favorito da vida

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Aplicativo Clue

Já foi o tempo em que era um tabu a mulher conhecer o seu próprio corpo. Já conhecida pela maioria das mulheres e incentivada pelos ginecologistas, a prática da masturbação e do autoexame de mama (o autoexame salva vidas. Já fez o seu hoje?) nos possibilitam ter uma maior intimidade com o nosso corpo. É muito prazeroso (e muito útil) saber do que gostamos, como reagimos aos estímulos e como nosso corpo é do lado de fora. Mas e a parte de dentro? Você sabe como o teu organismo funciona?

Eu não me importava muito com isso até que resolvi parar de tomar anticoncepcionais. Diferente da maioria, meu ciclo menstrual sempre foi muito certinho e com poucas variações, mas ainda assim eu queria entender o que acontece comigo e como seriam os meus ciclos agora, já que o meu corpo está se desintoxicando dos remédios que eu tomei por vários anos da minha vida.

Buscando pelo assunto na internet, eu descobri um aplicativo de controle do ciclo menstrual, o Clue. Baixei o app de graça e assim que fiz a instalação, respondi umas perguntas básicas durante o cadastro (você pode colocar dados bem complexos nesse cadastro, mas eu não sabia nada e mesmo assim consegui um bom resultado logo de cara). Baseado nas suas respostas e no seu interesse, o aplicativo monta pra você uma estimativa de como será o seu ciclo. E não é só dizer que dia você vai ficar menstruada, não! Vai bem além disso.

Pra minha surpresa, ele começou a me mostrar quando seria, aproximadamente, a minha janela de fertilidade, o dia da ovulação, a época que eu ficaria de TPM e mais do que isso, possibilitou que eu encontrasse ali mesmo várias informações científicas (numa linguagem bem simples) sobre o que estava acontecendo e quais mudanças aconteceriam no meu corpo durante aqueles períodos. Todos os dias eu posso inserir informações no aplicativo como: possíveis dores ou desconfortos, atividade sexual, corrimentos, sangramentos, como estou me sentindo emocional e fisicamente, temperatura basal, qualidade do sono, etc. É um mundo mágico! E você pode customizar o aplicativo para que você coloque apenas as informações que você quer que ele controle e que são importantes pra você.

Fonte: http://www.gleep.com.br/2016/02/aplicativo-ajuda-monitorar-o-ciclo.html

Eu sei que tudo isso que eu disse já é maravilhoso e já te deixou doida de vontade de sair desse correndo desse post e baixar o Clue, mas espera que ainda tem mais. Acredite, ele cria alertas pra você. Te avisa a hora de tomar o seu anticoncepcional, te lembra em que época você precisa voltar ao ginecologista, te fala sobre o autoexame e lembra que você precisa fazê-lo com frequência, te mostra um relatório dos seus últimos ciclos com todos os dados que você inseriu e ainda faz uma análise de tudo isso. É puro amor!

Se ficou interessada e ainda quer tirar algumas duvidas antes de baixar o aplicativo, você pode passar lá no site deles que vai ser super fácil de encontrar todas as informações sobre o Clue e como ele funciona. Se eu consegui te convencer, você pode baixar o app de graça na Play Store clicando aqui ou na Apple Store por aqui.

Espero que gostem dessa dica e que possam conhecer cada vez mais e cada vez melhor o próprio corpo. Se amem, por dentro e por fora, e não tenham medo de se descobrir.
Caso tenham alguma dica ou outras sugestões de aplicativos, deixem pra mim aqui nos comentários que eu vou adorar saber.