A desilusão amorosa não vai te matar

Publicado em Cotidiano, Crônicas
A desilusão amorosa não vai te matarA desilusão amorosa não vai te matar

Vivemos de expectativas num mundo de impermanências. Se percebêssemos o quanto as coisas ao nosso redor mudam de um segundo para o outro, talvez aceitaríamos mais facilmente que elas nunca serão do jeito que a gente quer que sejam – pelo menos não para sempre. E a desilusão amorosa com certeza faz parte desse pacote de expectativas frustradas. Mas você vai sobreviver, acredite.

É duro mesmo criar um universo de expectativas em nossas cabeças e, de um dia para o outro, todo esse mundo que construímos desmoronar. Às vezes, as outras pessoas têm certo grau de irresponsabilidade em seus atos, mas na maioria das vezes a culpa é exclusiva da nossa própria mente. E aí, quando o amor é interrompido, fatidicamente virão os dias de filmes e músicas tristes, potes de sorvete de colherada e de ligações de desabafo para a(o) melhor amiga(o).

Sim, a gente cai desse cavalo chamado vida o tempo todo. Mas o que fazer quando a desilusão amorosa está nos corroendo por dentro a ponto de prejudicar a nossa autoestima e tornar mesmo o dia mais bonito uma cena de um filme triste? Bom, primeiro temos que aprender a andar de cavalo.

Pare de achar que você não será feliz nessa vida e que ninguém te quer. Quer você acredite em Deus ou em destino, não é mentira que “tudo tem seu tempo”. E você não pode desperdiçar os seus dias alimentando expectativas mortas. Aprenda a lidar com a sua mente auto-sabotadora e perceba qual o tipo de esperança que vai te empurrar para frente e qual o outro tipo de esperança que vai segurar você, e quem sabe até te afundar.

As desilusões – não só as amorosas – não servem apenas para fazer você sofrer. Se você souber aproveitá-las, elas vão ser as ferramentas ideais da vida para que você desenvolva as melhores qualidades: paciência, sabedoria e maturidade.

Se pela milésima vez, você estava com alguém que te dispensou inesperadamente ou se está tentando atrair a atenção de alguém que não te dá bola, isso ainda não será o fim do mundo. Na verdade, será a oportunidade do seu próprio recomeço.

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Publicado em Cotidiano, Crônicas
Há dias em que chorar faz bem

As luzes se apagam, os olhos se fecham e, por um instante, o mundo deixa de existir ao seu redor. A escuridão parece ser necessária, ainda que você saiba que ela não vai durar para sempre. Estar consigo próprio pode parecer um pesadelo, se são os teus medos que te assombram. Estar envolto de pessoas pode se tornar ainda pior, se tudo o que precisa é do silêncio e de um pouco mais de ar para respirar.

Há dias em que chorar faz bem, seja em função de aliviar os pensamentos ou simplesmente para sentir a lágrima cair. Existem esses dias em que o vento faz soprar dores que você sequer lembrava, e que as horas conseguem passar ainda mais devagar que o normal.

Quando sentir que as pernas vão ceder e que você vai cair, é melhor chorar. Faz bem.

Seus lábios vão produzir um som que você se esforça em esconder; os olhos vão se fechar e voltarão a abrir marejados, como se estivessem precisando ser lavados há muito tempo. A respiração vai se dividir: ora acelerada, ora profunda. Sei que dói, mas chorar é mais importante do que possa parecer. Ainda que você prefira disfarçar quando lhe surgirem as lágrimas.

O choro não é sinônimo de fraqueza, mas sinal de que você finalmente abaixou a guarda e permitiu-se pedir ajuda a si mesmo. Chorar faz bem e não é motivo para se envergonhar.

Pode ser por causa de uma velha canção, que te trouxe lembranças de quem já se foi. Ou depois de uma discussão que abalou o que parecia inabalável. Não importa o motivo que te fez chorar, contanto que você se lembre dos motivos que te fazem sorrir.

Lembre-se que a gratidão não proíbe o choro, pois sem as lágrimas ela nem existiria.

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