O que mudou em nós depois de 1 ano sem carne

Publicado em Alimentação
1 ano sem carne

No próximo mês nós completamos 1 ano sem carne. Pode parecer pouco tempo, mas durante esse período muitas coisas mudaram na nossa vida e no nosso jeito de lidar com o vegetarianismo. Como é uma marca importante pra gente, decidimos fazer um post para compartilhar com vocês as diferenças que percebemos ao longo desses 365 dias.

Primeiros dias sem carne x 1 ano sem carne

O cheiro

Quando decidimos parar mesmo com o consumo de carne (sim, até com o peixe) nós ainda passávamos sufoco com o cheiro de carne nos lugares. A gente achava bem agradável e dava vontade de sair comendo tudo o que aparecesse pela frente, embora a gente nunca tenha tido nenhum deslize.

Um ano depois isso já mudou completamente. O cheiro da carne nos deixa enjoados (e não, não é frescura, eu juro), parece que junto com o cheiro vem um nó na garganta difícil de se desfazer. Já não sentimos vontade alguma e passamos a nos incomodar com o cheiro de bacon absurdo que exala de todos os lugares que entramos.

Refeições fora de casa

Começamos a reparar na falta de opções vegetarianas nos restaurantes. Notamos que, quando tinham uma “opção vegetariana”, a carne era substituída por omelete ou ovo frito. Nós não comemos ovos, mas o que nos deixa com mais raiva é que, claramente, esse não é um prato que foi pensado para vegetarianos e sim uma opção qualquer sem carne que jogaram no cardápio sem o menor interesse em realmente atender esse público. Além da falta de opções vegetarianas, ficou evidente que as pessoas não sabem mais cozinhar sem precisar enfiar carne em todos os lugares. O feijão é lotado de linguiça, a couve tem bacon, na salada tem atum, o macarrão tem carne moída… É uma tristeza.

Era complicado passar por isso no começo e dava um desespero não saber o que comer quando estávamos fora de casa. Um ano depois nós ainda nos sentimos negligenciados, mas aprendemos a escolher melhor os nossos pratos e a reclamar nos restaurantes que vamos e que não têm alguma opção ou que enchem até a salada com carne. Precisamos que nos vejam e que nos respeitem, não podemos deixar pra lá e esperar que entendam o nosso lado sozinhos.

Refeições em casa

No começo nós sentíamos que a carne tinha que ser substituída. Não dava pra montar um prato sem “carne”, então encontramos na soja uma solução fácil e gostosa. A gente tinha a impressão que precisávamos usar soja em tudo que a gente fosse preparar e isso não é muito saudável (nem necessário). Começamos a pesquisar sobre a soja e descobrimos o quanto ela é perigosa (posso fazer um post só sobre isso, se for interessante pra vocês).

Agora as refeições mudaram completamente. Conseguimos lidar melhor com os nossos pratos e entendemos a construção das nossas refeições e sabemos que isso vai muito além do arroz, feijão e soja (ou carne). Aprendemos a fazer receitas incríveis com ingredientes ricos em nutrientes e a usar tudo que existe na nossa geladeira de diferentes formas e sem desperdício. Descobrimos que a berinjela, abobrinha, grão de bico, castanhas, couve-flor, etc rendem pratos dignos de restaurantes cinco estrelas e que dá pra substituir tudo de origem animal das receitas por ingredientes vegetais (se quiserem um post com as substituições e receitas que nós mais gostamos, peçam aqui nos comentários e eu faço). Isso mudou nossas vidas.

Discussões

Os primeiros dias sem carne vieram com as primeiras perguntas sobre os motivos que nos levaram ao vegetarianismo e se paramos até com o peixe (sério, perguntam muito isso). A gente achava que todas as pessoas ao nosso redor precisavam se converter e aceitar o vegetarianismo nas suas vidas, custe o que custar e, por isso, todas as vezes que nos faziam perguntas, nós passávamos horas e mais horas tentando convencer as pessoas que ser vegetariano é a melhor decisão que se pode tomar.

Agora, depois de muito tempo falando sobre o assunto com pessoas que não estavam interessadas, nós aprendemos que nem sempre precisamos falar sobre isso por tanto tempo e com todas as pessoas. Quando temos a oportunidade ou quando percebemos que existe alguém interessado, nós explicamos a nossa visão ideológica e política do vegetarianismo e tiramos as dúvidas que sempre surgem. Descobrimos jeitos de fazer com que as pessoas tenham mais empatia e, com certeza, a agressividade não é o melhor caminho se você quer a atenção e o respeito de quem quer que seja.


Depois de um ano, muita coisa mudou. Nossa cabeça se abriu pra uma causa antes inconscientemente ignorada por nós. Hoje queremos ir além. Queremos parar com o consumo de todo e qualquer produto de origem animal e pode até não ser fácil, mas somos determinados e sabemos que essa decisão é a que mais condiz com o que sentimos.

Se você também tem vontade de parar com o consumo de carne e de produtos de origem animal, saiba que é possível e que aos poucos tudo se ajeita. Assista aos documentários que existem na internet (fizemos uma lista com os nossos favoritos e você pode acessar aqui), leia tudo que encontrar sobre o assunto, aprenda novas receitas e converse com quem já passou por esse processo.

Em breve voltamos com mais posts sobre esse assunto e caso tenham alguma pergunta, dúvida ou sugestão, deixem aqui nos comentários que nós respondemos.

Top 5 – Documentários sobre veganismo

Publicado em Alimentação, Top 5
Documentários sobre veganismo

Se você, assim como nós, está no processo de parar com o consumo de produtos e alimentos de origem animal, essa lista é pra você. Separei nesse top 5 os melhores documentários sobre veganismo, que vão te fazer refletir com mais profundidade sobre o assunto e (talvez) te convencer de que a tortura animal é muito maior do que qualquer desculpa de tratamento e abatimento humanizado. O tema é extenso e ainda há muito o que conhecer, mas acredito que essa lista já é um bom norte para começar.

5 – Garfos ao Invés de Facas

Conduzido por dois médicos que são referência da nutrição vegana, Dr. T. Colin Campbell e Dr. Caldwell Esselstyn, esse documentário associa o consumo de carne, leite e outros derivados animais às doenças degenerativas do ser humano, principalmente as cardíacas. Se você quer partir de uma questão de saúde para aderir ao veganismo, pode começar por aqui.

4 – Não Matarás

Uma produção brasileira, do Instituto Nina Rosa, sobre a utilização de animais no ensino e na pesquisa. Empresas e laboratórios são questionados sobre a moral da experimentação em animais em prol da ciência e suas consequências. Base de um sistema que mantém produtos de limpeza, cosméticos e remédios, os testes realizados são parte fundamental da discussão vegana.

3 – A Carne é Fraca

Mais um documentário realizado pelo Instituto Nina Rosa, A Carne é Fraca apresenta os impactos que comer carne têm na saúde humana, na vida dos animais e no meio-ambiente. É sempre bom lembrar que todos os filmes dessa lista incluem cenas pesadíssimas dos maus tratos e tortura dos bichos, que não deixam de ser um alerta para nos atentarmos ao sofrimento encarcerado que a nossa espécie causa a eles.

2 – A Conspiração da Vaca: O Segredo da Sustentabilidade

Uma produção-executiva de ninguém menos do que Leonardo DiCaprio, Cowspiracy acompanha a trajetória do cineasta Kip Andersen, que escancara a indústria alimentícia e o sistema agropecuário, além de trazer números e dados que comprovam que o consumo de carne destrói mais florestas, polui e gasta mais água do que qualquer outra atividade no mundo.

1 – Terráqueos

Não conseguimos assistir esse até o fim, e é por isso que figura no topo da lista. Uma verdade bem cruel de como os animais são tratados ao redor do mundo, sejam os domésticos como os cães e gatos ou os criados para o consumo, como bois, porcos e aves. Ninguém se salva: pet-shops, abrigos, criação, abate, comércio de peles e couros, circos, rodeios, experimentos científicos, testes de cosméticos. Todas as indústrias e seus métodos nada agradáveis em função de um sistema de carnificina.

Ficou curioso para assistir esses documentários sobre veganismo? Sim, é muito difícil não ficar abalado depois de ver imagens chocantes como essas, mas nunca é tarde para mudar. Pesquise melhor sobre o assunto e valerá a pena.

Por que decidimos parar de comer carne

Publicado em Alimentação, Cotidiano
Parar de comer carne

Desde que me conheço por gente sempre comi carne, como acredito que seja a realidade da maioria das pessoas. Na minha família, churrasco era sinônimo de lazer aos fins de semana na zona leste de São Paulo, regado à cerveja, refrigerante e convidados, e era luxo quando podíamos pagar um rodízio bem servido. Já a Bia nasceu em Araçatuba, interior de São Paulo e maior concentração de fazendeiros de gado do país, onde sertanejo e churrasco são quase leis imperiais – não dá pra fugir da carne na Capital do Boi Gordo.

Vegetarianismo, ao menos pra mim, era um conceito distante; veganismo era utópico. Tipo chamada do Globo Repórter mesmo: Vegetarianos! De onde eles vêm? O que comem? Como se reproduzem? Nunca convivi com nenhum adepto durante minha infância ou adolescência, nem fui incentivado na escola ou em qualquer meio a procurar sobre o assunto. Basicamente, eu mal sabia os nomes dos vegetais que eu via no mercado (não que eu saiba hoje).

Desde que eu e a Bia nos conhecemos, cozinhar se tornou uma prática muito mais comum na minha vida. A gente sempre preparou vários miojos gourmet, lasanhas congeladas e essas finezas que todo jovem que mora sozinho conhece bem. Mas a gente arriscava também. E tentávamos de tudo: pratos frios, quentes, carnes, sobremesas, requintados, mistura-tudo-e-vai-na-fé e por aí vai.

Antes mesmo da questão financeira, nós já havíamos conversado sobre a possibilidade de parar de comer carne. E como tínhamos acabado de mudar para Curitiba e estávamos morando juntos havia pouco tempo, poderíamos escolher tudo o que a gente queria e não queria ter na nossa despensa. Até que as idas ao mercado começaram a ficar mais frequentes. E a gente começou a ter que lidar mais com a seção do açougue e seus preços salgados. A carne vermelha já não fazia mais parte do cardápio, o frango foi sendo deixado de lado e só o peixe foi que continuamos comendo por mais algumas semanas. Em um mês e meio, praticamente zeramos o consumo de carne das nossas refeições.

Não que seja um processo tão simples assim, pois não adiantaria a gente trocar arroz, feijão e bife por arroz, feijão e água. Deixar de comer carne é abdicar de uma cultura carnista para descobrir um mundo de sensações (parece slogan de chiclete) que os vegetais, os grãos, as frutas e todas as milhares de combinações possíveis podem te proporcionar.

Nossos motivos foram fundamentais para tomarmos a decisão: contra a tortura e o assassinato animal, uma vez que mais de 56 bilhões de animais são mortos por humanos todos os anos. Prezando pelo meio-ambiente, o que engloba o fato de que são gastos 4 mil galões de água por dia para as refeições de uma pessoa que come carne e que as fezes dos animais são extremamente poluentes para os rios e mares. E, por fim, mas não menos importante, por nossa própria saúde (mas isso fica para um próximo post).

Já faz uns 7 meses desde então, e muita coisa mudou: começamos a sentir mais o sabor da comida, aprendemos a fazer receitas que nem imaginávamos que existiam, descobrimos fatos, dados e assistimos documentários sobre o consumo de carne que nos incentivaram ainda mais a nos dedicar a essa mudança, e nos sentimos muito mais dispostos física e mentalmente.
Hoje estamos num processo de migrar para o veganismo. Complicado? Muito mais. Mas a determinação é ainda maior.