Mudamos para Curitiba

Publicado em Cotidiano, Morando Junto
Morando junto

Eu já li alguns posts emocionantes e ouvi relatos super fofos de casais que decidiram, depois de longos anos de namoro, que era a hora de morar junto. Essa é uma decisão importante e tem um peso enorme na vida de qualquer pessoa. Por isso, é necessário analisar com cuidado os prós e os contras, fazer um planejamento financeiro minucioso, começar uma preparação individual e psicológica pra dar conta dessa mudança tão grande, e mais um monte de questões que devem ser levadas a sério nesse momento.  Mas com a gente não foi assim, não mesmo. Pra falar bem a verdade, não passamos nem perto disso. Sim, foi uma maluquice sem tamanho e eu vou explicar como aconteceu.

O Thiago já morava sozinho (na verdade ele dividia o apartamento com um amigo. Mas não morava com os pais, o que na minha cabeça já é morar sozinho) e, como esperado, eu frequentava bastante aquele lugar. Numa dessas visitas, nós estávamos almoçando e no meio de uma conversa despretensiosa decidimos que quando a gente fizesse dois anos de namoro, poderíamos começar a pensar em morar juntos. Na semana seguinte decidimos que dois anos era tempo demais, um ano seria suficiente. Nessa mesma semana, resolvemos que a gente queria sair de São Paulo, conhecer outros lugares, respirar novos ares, sair daquela agitação e tentar um lugar mais tranquilo. Nós dois, quase que ao mesmo tempo, sugerimos Curitiba. Não deu pra negar, tínhamos motivos diferentes, mas era suficiente para que a gente quisesse tentar. “Então, beleza! É isso. Ano que vem nós vamos embora pra Curitiba”.

Vida que segue. O próximo ano ainda estava longe de chegar e nosso namoro ainda estava bem no comecinho, muita coisa podia mudar ate lá. A cobrança era uma coisa que não existia no nosso relacionamento (e não existe até hoje). Se algo desse errado, tudo bem, mas já começamos a pesquisar sobre a nova cidade e abrir um ou outro anúncio de apartamentos que estavam para alugar. Era só pra ter uma noção de quanto a gente ia gastar, como eram os apartamentos, se era muito diferente de São Paulo, etc. Pouco depois disso eu fiquei doente (tive uma laringite ou faringite bacteriana aguda do capeta) e acabei ficando no apartamento do Thiago por uns dias. Foi a primeira vez que passamos mais do que um final de semana juntos. A gente se conheceu bastante naquele período, as DRs aumentaram e descobrimos detalhes um do outro que não dava nem pra imaginar. Foi tão maravilhoso que esses longos períodos no apartamento dele começaram a ficar mais frequentes e todas as vezes que eu precisava ir embora meu coração apertava. Talvez isso nunca tenha sido falado, mas eu sabia que seria o ano mais longo de todos e eu queria muito que ele passasse bem rápido.

A gente precisava avisar o Leandro (amigo do Thiago que morava no apartamento) que nós nos mudaríamos no ano que vem e que infelizmente ele teria que procurar outro lugar pra morar. Foi uma decisão complicada, acho que a mais complicada de todas. Se o Thiago falasse com ele, os nossos planos se tornariam mais reais e foi aí que começamos a pensar que “Mano, talvez isso aconteça mesmo”. Decididos, fizemos o comunicado e pra nossa surpresa ele se mudou dias depois. Mais surpreendente ainda foi ouvir da minha sogra e da minha mãe um “Vocês estão esperando o quê?”. Uau, tínhamos o apoio delas e agora era uma decisão nossa e só nossa. O Thiago pediu demissão. Eu me mudei oficialmente para o apartamento dele com tudo que eu tinha. Ajudei a empacotar o resto das coisas. Nos mudamos depois de duas semanas.

Chegamos na cidade com algumas malas, uns livros, o nosso computador e a boa vontade de um amigo que nos deixou morar no quarto dele por uns dias (que viraram semanas. Eu conto em outro post como foram os primeiros dias aqui em Curitiba. Preparem-se pra rir. Ou pra chorar. Até hoje eu não sei se foi trágico ou cômico). A gente não tinha apartamento, nem emprego e mal sabíamos como pegar um ônibus sem a ajuda das pessoas. Dizem que os Curitibanos são frios, fechados e difíceis de lidar. Isso pode até ser verdade em alguns casos, mas a nossa experiencia nessa terra gelada foi de muito amor. Todos foram muito solícitos e carinhosos, desde a mulher que deixou de seguir o seu caminho pra nos levar até o café que estávamos procurando, até o taxista que parou o carro e ligou do próprio celular pra síndica do condomínio pra ver se ela podia alugar a casa que estava vazia por um preço mais baixo pra gente. Talvez tenha sido sorte, mas eu prefiro acreditar na bondade das pessoas mesmo.

Já estamos perto de completar um ano morando juntos e depois de muito perrengue, tudo está mais do que certo por aqui. Agora é a hora de refletir sobre essa loucura que foi o nosso último ano e sossegar. Há! Mentira. A gente não consegue ficar parado e já estamos planejando um próximo destino. Oremos!