Onde quero estar daqui 5 anos?

Publicado em Cotidiano, Crônicas
Onde quero estar

Que pergunta difícil, não? Parece entrevista de emprego. Mas você já parou pra se perguntar: “onde quero estar daqui 5 anos”? Aparentemente é pouco tempo, eu sei, mas pense em quem você era 5 anos atrás e em quem você é hoje. Mudou bastante, acredito. Mudaram os amigos, a família diminuiu e cresceu, alguns nasceram, outros morreram, paixões se concretizaram, outras se desfizeram. A sua essência continua a mesma, mas as suas experiências e cicatrizes já fazem parte de quem você é agora.

Em 2011 eu tinha 20 anos. Estava no auge da juventude universitária, fazendo as coisas que todo mundo faz, sonhando em ser quem eu sempre quis ser. De lá pra cá, houveram erros e acertos que foram me moldando. Sofri perdas irreparáveis que me tiram o sono até hoje, como a morte do meu pai (contei sobre isso aqui), mas também tive a oportunidade de viajar para outros países e de conhecer a Bia, que faz parte do meu presente hoje. E aí quando eu olho 5 anos pra frente, lá em 2021, eu me pego em devaneios e dúvidas. Afinal, como e onde quero estar no alto dos meus 30 anos?

A minha resposta é: eu quero estar bem. Às vezes a gente faz mil planos pro futuro, não é? A gente escolhe quantos filhos quer ter, quantas meninas e quantos meninos, qual trabalho queremos estar fazendo, em que cidade estaremos morando, a marca do carro, o aspecto físico de modelo de revista, a inteligência de um cientista da NASA. E isso é muito legal, é claro! É bom sonhar e se imaginar conquistando aquilo que se almeja. E é melhor ainda realizar. Mas mais do que isso, o essencial é invisível aos olhos. Daqui 5 anos eu quero estar com vontade de viver mais uns cem, quero ter mais planos do que tenho hoje. É provável que eu e a Bia já tenhamos um ou dois filhos (e nesse post ela já escreveu sobre a hora certa de ter filhos). Eu quero sentir o amor de ser pai, de ver os meus traços em um ser tão ingênuo e doce.

Quero também estar mais saudável, física e mentalmente. Quero andar mais a pé, olhar mais o céu do que a tela do celular. Dizer o quanto amo quem eu amo, perdoar aqueles pelos quais tenho ressentimento. Conhecer gente nova, estar mais perto dos amigos de sempre. Realizar meus sonhos, mas aprender a lidar com a frustração caso eles não sejam realizados. Permitir a mim mesmo errar, mas não esquecer de valorizar os acertos. Fazer a diferença na vida das pessoas, colocar um sorriso no rosto de quem está triste.

Não sei se vou lembrar de ler esse texto em julho de 2021, mas eu realmente espero que as coisas sejam dessa forma. Que independentemente dos acontecimentos, a energia seja sempre para o bem. Que as coisas sejam leves para mim, para a Bia e para quem está próximo de nós, sem traumas.

Feliz. Cercado de criança. Com paz de espírito. Fazendo o que me faz bem.

É dentro de mim mesmo onde eu quero estar daqui 5 anos.

Hoje e sempre, estarei ao seu lado

Publicado em Cotidiano, Crônicas
Ao seu lado

Eu sei que nem sempre é fácil. A gente briga, fica nervoso, a cabeça dói e chegamos a chorar, às vezes gritar. Tem dias que tudo que a gente quer é ficar num canto quietinho ou embaixo do cobertor, vendo séries e comendo pipoca. Tem dias que a gente não quer falar muito, nem discutir – só ficar abraçados mesmo.

Promessas de viver felizes para sempre a gente faz desde o primeiro dia. Quem não quer ser feliz ao lado de alguém que ama? Nós sonhamos a vida inteira com isso, nos imaginamos daqui dez anos cercado de crianças. O coração chega a bater mais forte quando sabemos que encontramos quem é que vai dividir o resto da vida conosco. Mas a promessa mesmo, que às vezes esquecemos sem querer, é a de estar sempre presente principalmente na doença, na tristeza e na pobreza.

Hoje e sempre, eu estarei ao seu lado. Quando estivermos velhinhos, tricotando na cadeira de balanço, vamos nos perguntar: afinal, o que aprendemos com a vida que passamos juntos? E mais do que o saudosismo dos bons momentos, serão lembradas as decisões que tomamos juntos nas dificuldades. Afinal, quanto tempo será que ainda temos? Uns 60 anos? Talvez menos (ou mais, vai saber!).

Não sabemos quanto desse tempo vai ser de alegria e quanto vai ser de tristeza, mas tenho certeza: o conforto que sempre procuramos agora temos em nós.

Minha vida deu errado

Publicado em Cotidiano
Minha vida deu errado

Você já se perguntou – naquela manhã de domingo em que levanta da cama e vai deitar no sofá pra assistir desenho – por que diabos nada do que você se dispõe a fazer dá certo? Eu já, muitas vezes. A minha vida deu errado de várias formas até hoje, mas parece que está começando a dar certo.

Antes de conhecer a Bia, mudar para Curitiba e vivermos felizes para sempre, eu morava na zona leste de São Paulo, sempre tentando fazer algo novo pra mudar a vida pra melhor. Mas parece que o principal defeito dessa geração é justamente começar tudo e não terminar nada.

Desde pequeno, eu já era promissor. Meus pais brilhavam os olhos achando que tinham um filho superdotado que ganharia prêmios e muito dinheiro, mas alguma coisa deu ruim e até hoje o máximo que eu ganhei foi um edredom numa rifa da escola.

Pra escrever esse texto, eu até tentei enumerar a quantidade de novos projetos/atividades/hobbies que eu já comecei, mas perdi a conta e desisti. Se você for um procrastinador profissional como eu (falarei sobre isso em outro post), tenho certeza que vai se identificar. Cada retrospectiva que você faz da sua vida tem uma pedra no caminho que impediu que você alcançasse o sucesso – e provavelmente essa pedra é você mesmo.

Thiago, o escoteiro

Dos meus sete aos onze anos, eu participei de um grupo de escoteiros. Acampei diversas vezes na Serra da Cantareira, aprendi tudo sobre Baden-Powell, sabia dar vinte nós diferentes numa corda (verdade), fazer fogueira com gravetos (mentira) e cantar umas cem músicas que todo escoteiro sabe. Eu tinha até aqueles emblemas como o do garotinho do Up, mas a vida um dia me disse: “não, você não quer ser escoteiro, desiste e vai fazer algo melhor dos seus sábados“. Aí eu voltei a assistir desenho o dia todo.

Thiago, o karateka e futebolista

Nem vou me estender aqui. Como todo pai que quer ver o filho numa olimpíada, o meu tentou me incentivar em vários esportes e atividades físicas, como o futebol e o karatê. Me descobrindo un amante de la procrastinación, não preciso dizer que o sedentarismo venceu essa luta antes mesmo de começar.

Thiago, o músico, escritor e ator

Durante a faculdade, eu já tinha uma noção maior dos meus atributos e gostos pessoais. Eu sabia, por exemplo, que seria um esquerdopata politicamente correto e que as áreas humanas e artísticas me cativariam mais que esportes ou qualquer coisa que envolvesse números. Comprei uma bateria e um violão, comecei a estudar música. Entrei num grupo de teatro da faculdade, comecei a atuar. Criei meu milésimo blog, dessa vez pra escrever poesias e contos, comecei um livro. A faculdade terminou e parece que levou tudo isso junto. Hoje restam só uns respingos pululantes de criatividade, mas cantar ficou só pra hora do banho mesmo.

Thiago, o designer e fotógrafo

É aqui onde estou hoje. Trabalhando com webdesign, fazendo freelas, fotografando crianças e gestantes. A Bia, bacharel em procrastinação assim como eu, é um pouco mais responsável com as coisas que começa, então é ela que me cobra e me mantém com foco no que é necessário. Se bem que, em menos de um ano, já começamos esse blog, um canal no YouTube, duas fanpages no Facebook, três perfis no Instagram e estamos com outros projetos (além de outro livro que comecei e parei). É claro que não conseguimos atualizar tudo na mesma frequência que gostaríamos, mas dessa vez parece que as coisas estão andando pra frente, ao invés de rastejar quase parando.

Esse é só um resumo dessa minha vida de coisas pela metade, sem contar as infinitas vezes em que dei início a dietas, academias e promessas de ano novo. Eu já pensei tanto sobre isso e já li tantos livros sobre o assunto (ou pelo menos comecei a ler), que durante a minha passagem na Austrália, num intercâmbio, eu resolvi fazer uma apresentação em inglês contando por que a minha vida deu errado. Eu acho que realmente as pessoas se divertem com a desgraça alheia – fui aplaudido de pé.

Acho que daqui pra frente, conforme a idade for aumentando, a disposição pra começar coisas novas vai diminuir, principalmente sabendo que a maioria delas não vai chegar ao fim. Você tem uma trajetória parecida? Ou é super focado e consegue dar continuidade a tudo que se dispõe fazer? Conta aqui pra gente nos comentários!